pra lembrar da saudade.

deixei a tua mesa do jeito que você deixou. partidas só não me incomodam mais que caixas. acho que não suportaria tantas caixas na sala de uma vez. vai uma e eu fico, vão duas e eu vou junto. eu sou meio que a medida do que dói e do que fica. essa semi-dor é aquela coisa pequena que ninguém vê, mas que palpita primeiro e depois explode. explode quando toca o rádio e quando cai o sol. explode quando o filme é sutil demais e me deixa pensar por onde você anda e por que eu decidi trocar você de lugar. o nosso amor desandou na viagem da casa. e a gente se esquece disso quando bate a saudade.
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7 motivos pelos quais você foi colocado numa friendzone.

Todo mundo passa por aquele momento na vida em que cai na Friendzone. A falta de demonstração clara da atração física junto com a falta de confiança para ter uma iniciativa leva a condições pouco favoráveis de aproximação. Você se vê meio como um estrategista que não sabe bem como se aproximar e ganhar o outro num jogo de conquista e daí surge uma brecha: você pensa em se tornar amigo ou ter uma relação inofensiva mais próxima com a pessoa para poder ter essa tal aproximação e, quem sabe, conseguir o que tanto quer. O problema e a razão da tal da friendzone é justamente esse: uma vez dentro, raramente se consegue escapar. O outro monta uma imagem inofensiva e sem o apelo sexual necessário para que a atração se desenvolva fora do ambiente de amizade.

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Chega uma hora que a gente tem que parar.

O tempo todo se fala de começar e fechar ciclos. O próprio ato de dormir e acordar na manhã seguinte sugere o fechamento de um dia e início do outro. São segundas, terças e quartas que nunca se repetem. São semanas que variam dentro de meses diferentes que transcendem anos. Um dia nunca é igual ao outro e aquela máxima de viver um dia de cada vez parece ser mais natural do que parece. Mas e quando se fala em amor?

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Podia ter sido a nossa música.

– Achei que você nunca fosse pedir. Como vão as coisas?

– Vão mal. Eu devo viajar no mês que vem e não queria te deixar aqui sozinha. Ainda mais quando você fica extremamente bonita enquanto eu te conduzo. Dá vontade de ficar te girando por uma noite inteira enquanto essa música vai dando ritmo pra gente.

– Você acha realmente que a gente tem ritmo? Eu digo…não sei se os seus passos casam com os meus. Eu sou mais agitada que isso. Você é clássico demais. Narcisista demais, até. Achou que eu não percebi a sua tentativa de conquistar as outras mulheres do salão enquanto me conduz? Você é um desses bonitinhos adoráveis que a gente manteria por perto pra sempre. Mas é um baita dum pretensioso.

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Melancolia.

Esse ar de tristeza é a sua identidade. A chave da porta da frente da alma. É como se uma bolha invisível tomasse conta e dissesse pra ele “você não pode e nem deve sair daqui”. É essa a realidade das noites com seu travesseiro. Descansa a cabeça, mas desatina a pensar. Bomba-relógio. Sou eu explodindo pro mundo ou o mundo que não cabe em mim? Ele se pergunta sobre isso todos os dias. Sobre quando essa agonia vai ter fim e alguma coisa vai indicar que a caminhada acabou. E sempre acaba chegando à conclusão de que o importante é a caminhada e que essa sensação não vai passar nunca. Como um bom amigo, essa melancolia estende a mão e o convida para um café. Não se deixa levar pelas modas das revistas, nem pelos anúncios na TV. É atemporal, do século passado, uma tremenda contradição. Se desenrola em tons pastéis e parece ser a única coisa que o entende. Que o atende. Que o entendia. Que o deixa ser.

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Segundas chances nunca dão certo.

Eu apostei errado. E o que mais dói é reconhecer isso. Não é pela perda do tempo ou do investimento. É pela perda da história toda. Aquele momento em que eu paro e me pergunto se não teria sido melhor se nem tivesse tentado. Me alertaram sobre segundas chances e esse nosso modo requentado de fazer as coisas. Não dei ouvidos a eles e me cansei no exato momento em que disseram que a nossa engrenagem já tinha enferrujado porque passou muito tempo sem funcionar. Fui mais teimoso ainda e tentei mais uma vez. À força. Na marra. Com vontade e empurrões até as coisas voltarem a girar no tranco.

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