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Carta à menina dos meus olhos.

Daniel Bovolento

Por / 11 DE março DE 2012

Carta à menina dos meus olhos.

Passou um tempo e eu não acreditava que essa cena fosse se repetir. Salto alto, cabelos bem penteados, um olhar selvagem e doce ao mesmo tempo. Eu sempre chego atrasado a qualquer compromisso importante, você sabe disso. E não seria diferente com a gente. Mas te ver saindo daquele táxi me fez ter uma visão completamente nova do que éramos nós dois. Você anda mais mulher, menos segura e um pouco vulnerável. Mais menina e ao mesmo tempo com um charme encantador que desbanca qualquer marmanjo. Uma contradição gigante eu dizer isso, eu sei. Você assim, toda gostosona e parecendo uma dessas modelos estilosas de capa de revista e eu aqui falando sobre quão menina você se tornou. Ah, bobagem minha.

Menina dos meus olhos. Me deixa te chamar assim agora. Você com essa nova mania de não acreditar em nada que eu digo e eu com essa nova mania de ser desapegado. Acho que a gente se desencontrou de novo depois da última vez, né? Não foi lá muito fácil te ver com outros caras tão diferentes de mim. Você também não deve ter pensado diferente ao me ver com todas aquelas meninas que significaram algumas reticências no meu modo de pensar. E agora a gente se reencontra aqui. Na porta de uma boate elegante com mil rostos desconhecidos e sem saber o que esperar de nós mesmos. Tão previsíveis que já sabíamos que isso ia dar certo desde o início.

E quando eu falo sobre dar certo, eu não me refiro a funcionar ou não. A gente descobriu entre sofás e salas de cinema que a gente combina muito. O meu orgulho aguçado com a tua capacidade de provocação extrema se entendem juntos. Mas pra você nunca houve orgulho que bastasse. Eu resisto sempre. Mas não adianta: você é mais importante que esse meu nariz em pé. Meu orgulho não tem espaço quando você está por perto: dou o braço a torcer e pergunto se você não quer ficar pra sempre. “Fico”. Mas queria que você acreditasse em uma única palavra minha. “Você mudou”. Eu sei e não nego nada disso pra você. Mudei e mudei muito. Mas cada abraço que você me dá acompanhado de uma risadinha, de um olhar ou o que quer seja me faz pensar e dizer “Meu Deus, onde foi que essa mulher me encontrou?!”. Não sei qual destino, carma ou coincidência nos juntou. Mas devo agradecer a cada um deles individualmente por ter te trazido de volta pra mim. E agora como é que a gente funciona? “Você assim todo charmoso, independente, seguro de si mesmo”. E o meu ego agradece mais pela tua presença do que qualquer um desses elogios.

Ah, meu amor. Eu passei a noite inteira te olhando. Coisa de homem meio apaixonado, meio pensativo. A gente já caiu uma vez da corda bamba e subir nela de novo é correr um risco. A gente corre tantos riscos no dia-a-dia, mas esse não é só mais um. O problema aqui é que eu estou me apaixonando perdidamente por você de novo. De um jeito menos óbvio, de um jeito menos singular. De um jeito mais canalha, mais maduro, mais meu. E o desafio é te fazer acreditar no que eu digo, no que eu mostro, em como eu te quero bem. Acreditar num abraço, numa mensagem de boa noite, em todo o romantismo exagerado que só existem nos meus textos. Eu te quero comigo pra onde quer que eu vá e pra ficar parado em qualquer lugar também. “Fica comigo pra sempre?”. Só se for agora.

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DANIEL BOVOLENTO

Carioca em São Paulo, redator, marketeiro, consultor de conteúdo e escritor. Falo mais sobre relacionamentos que a maioria.

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