Cidade dos Amantes.

Ao som de “I came from a place where lovers remain lovers and they love until the end. They love, and love each other…”

Eu vivo numa cidade dos amantes. Aqui se encontram os mais perfeitos tipos de amantes que se possa imaginar. Desde os trágicos, inspirados em algum conto grego ou troiano, até os românticos incuráveis, regados a flores e declarações. O comércio aqui sobrevive dos amantes. São multinacionais de floriculturas, pólos industriais de chocolate e presentes, lojas inteiras de pelúcias e vinho e milhares de cinemas pela cidade. Hoje, mais precisamente, é o feriado dos amantes eternos. É a data mais importante dessa cidade desde a sua fundação. E não há amante aqui nessa cidade que não celebre essa data. Todos eles se retiram e passam o dia juntos, vivendo como se não existisse mais nada, como se a única coisa que importasse fossem eles. Não é muito diferente dos dias comuns. Todos esses amantes vivem para o seu par para sempre.

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Nós não somos todos iguais.

“Women would have us believe that they are the victims; That we break their hearts for sport. That’s crap. They say they want romance, they say they want true love…”

Eu resolvi escrever esse texto para falar um pouco sobre tudo. Essas conversas de amor que a gente tem com os amigos, essas meias filosofias de boteco e de mesa de restaurante, essas convicções que a gente tem por aí: é tudo uma grande questão de ponto de vista.

Esses dias eu ouvi uma amiga minha comentar sobre como as mulheres são burras em se deixar levar pelo papo dos homens e como elas sempre acabam com o coração quebrado porque nós somos rudes, grosseiros, insensíveis. E mesmo quando elas não nos generalizam, a prerrogativa cai por terra ao primeiro sinal de desconfiança: nós não podemos ser bons demais, a gente tem que ter algum defeito, senão não é real. O problema disso tudo é que as mulheres buscam a perfeição, querem viver numa ficção e se desesperam ao primeiro sinal de realidade. E no final de tudo, sempre acaba com a premissa de que somos todos iguais.

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Maria.

Ô, mãe. A gente dá tanta volta no mundo pra quebrar a cara e dizer que vocês estavam certos. Eu lembro como se fosse hoje aquele dia em que eu te contei que meu sonho era virar ator e que eu tava indo embora em busca do meu sonho. Você chorou, lembra? Mas ao contrário do que eu pensava você me ajudou a fazer a mala e me deu as economias que a senhora tinha. Abriu a porta lá de casa com o coração na mão, abriu minha mala e o colocou lá dentro. Era pra eu levar um pedaço de você comigo. O mais especial.

“Vai e segue teu sonho, fio. Vai atrás do que faz ocê feliz. Vai e não olha pra trás. Espera o que há de vir. Meu Deus sabe o que faz e eu conheço esse teu coraçãozinho de sonhador, uai. Chora o que não foi, não. O que há de vir tem muito força, meu fio. Entrega e confia.”

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Crítica.

Eu tenho uma crítica ao seu novo livro. Você já foi melhor para falar sobre relacionamentos, sobre as coisas que nos movem, sobre tudo o que acontece na tua cabeça e você sente melhor que todo mundo. Hoje em dia eu te vejo cansada de tentar falar sobre amor, sobre paixão, sobre ter olhos abertos para o que o mundo inteiro não vê. Hoje em dia eu te vejo sem esperança, tentando corrigir a frustração de não ter encontrado um rumo na vida. Te vejo tentando corrigir as escolhas que você fez, catando os cacos de vidro dos mil espelhos que você destruiu. Te vejo tendo cuidado ao pisar em ovos, arriscando muito menos do que arriscava, escrevendo com um peso de pena nas mãos. Tua escrita deixou de ser leve e se tornou frágil. Você se deixou levar pelas mazelas da vida de todo artista. Você trocou as luzes da cidade pelo seu travesseiro. Esqueceu um pouco do que é sonhar e sofrer por isso, minimizou seus danos e erros, mas também recusou as recompensas que uma vida de inspiração poderia te trazer. Acho até que você envelheceu…

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Sobre pessoas, guerras e a função social de uma cantada.

Todos os caminhos que a maioria das pessoas toma ou tomará na vida são delimitados por uma razão em comum: o contato físico. Não vou romantizar agora e justificar que as mulheres buscam o amor e os homens buscam relações estáveis que proporcionem sexo ou coisas do tipo. Na verdade, todos sabem que o impulso inicial de um homem ou uma mulher é o contato físico com outro ser humano. E uma das figuras mitológicas nessa longa estrada da vida em que ocorrem os mais de mil encontros que irão delinear um sem número de acontecimentos é justamente a famosa “balada”.

Não adianta negar: a vida de um solteiro pode ser comparada às batalhas épicas mais vorazes da história da humanidade. Aliás, a vida de todo ser humano não comprometido pode ter como metáfora um campo de batalha. Todos nós um dia já passamos pelo que chamamos de caçada, em que a “Arte da Guerra” parece ser primordial quando tratamos da estratégia que vai liderar todas as ações numa noite de festa e farra. O que eu quero ressaltar é o modo como essas atividades de estratégia se dão e o que representam pra ambos os lados.

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Encontro.

Eu estou voltando. E isso aqui não é uma carta pedindo boas-vindas.

Eu tô voltando pra cidade onde eu nasci. E, sinceramente, não faço ideia do porquê. Sabe aqueles momentos na vida quando a gente percorre o mundo, faz tudo o que queria fazer, vê de tudo, se surpreende, chega ao limite da aventura e da emoção? Quando a gente já passou por amores psicóticos, por festas paradonas, por portas destrancadas, por fogos de artifício, por cigarros de canela e xícaras de chá vermelho? Sabe quando a gente já passou por tudo na vida e descobriu que tinha que voltar?

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