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	<title>Entre todas as coisas</title>
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		<title>pra lembrar da saudade.</title>
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		<pubDate>Thu, 31 May 2012 01:01:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Bovolento</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://26.media.tumblr.com/tumblr_lak2qyjpiC1qe0fdco1_500.jpg" alt="" width="500" height="334" /> <span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://entretodasascoisas.com.br/2012/05/30/pra-lembrar-da-saudade/"><img src="http://img.youtube.com/vi/OWLU0QMJwRk/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>deixei a tua mesa do jeito que você deixou. partidas só não me incomodam mais que caixas. acho que não suportaria tantas caixas na sala de uma vez. vai uma e eu fico, vão duas e eu vou junto. eu sou meio que a medida do que dói e do que fica. essa semi-dor é aquela coisa pequena que ninguém vê, mas que palpita primeiro e depois explode. explode quando toca o rádio e quando cai o sol. explode quando o filme é sutil demais e me deixa pensar por onde você anda e por que eu decidi trocar você de lugar. o nosso amor desandou na viagem da casa. e a gente se esquece disso quando bate a saudade.<br />
<span id="more-1289"></span></p>
<p>eu me lembro do bom e do resto. mas a saudade só se lembra do bom. saudade é fotografia viva na minha parede. não mancha nem com o vinho que eu atiro nas noites de loucura. não desbota nem com a fogueira que eu faço quando a loucura me domina. não se esquece nem quando a nota musical grita um lá&#8230; quando eu me lembro de você é sempre dó e o violão parece chorar comigo. mas eu entendo. no fundo todo mundo entende e não quer aceitar o clichê. é que não tinha mais como ficar aqui. melhor guardar essa saudade do que viver a falta todo dia. a nossa falta era diária e o diário foi ficando pesado.  e quando eu decidi rasgar as folhas dele, decidi mudar o meu modo de escrever sobre a gente. mudei a minha gramática e as minhas regras de escrita. abandonei as maiúsculas e as nossas reticências vazias de significado. mudei de lápis, te tirei da estante e fechei a porta. mas a tua mesa continua ali, do mesmo jeito. só que com saudade.</p>
<p><img alt="" src="http://media.tumblr.com/tumblr_lv4jezxOWA1r08m9n.jpg" class="aligncenter" width="500" height="375" /></p>
<p>eu vivo de saudade. saudadinha da vovó que não me visita mais e nem me dá a opção de ir visitá-la. saudadinha de ser chamada de “minha menina” pelo papai nos domingos. saudades de usar aquela saia vermelha xadrez que eu ganhei quando falsifiquei meu boletim na escola. saudadonas daquele filho que a gente quase teve se não fosse pela pílula do dia seguinte. saudadonas de você aqui no quarto rindo tanto quanto eu dos absurdos dessa vida. mas você tinha que ir porque é assim que as coisas são. as pessoas sempre vão. uma hora ou outra chega a hora de serem desalojadas ou de perceberem que o seu lugar não é aquele. no nosso caso, o seu lugar não era aqui. mas eu fico. saudade sempre fica. é a única coisa que nunca vai embora.</p>
<p>e você sente saudade? saudade de quê? ela tem um quê de mim ou esse meu sorriso meio esperançoso é coisa só minha ainda? ah&#8230;deixa pra lá. a gente sempre deixa. eu deixo o vinho na sua mesa quase toda noite. mas não quero que você volte. não&#8230;a gente tá melhor assim e você pode não saber. mas eu sei e gosto disso. gosto dessa saudade que virou meu norte. essa minha saudade que é diferente das outras e não se esconde. é saudade que sorri pros outros e sorri pra vida. é saudade boa que fere um pouco e retoma a noite. saudade de apego com um sentimento de nunca vou te abandonar. me conforta. me faz sentir como se eu tivesse escolhido o melhor de você e vivesse cada dia lembrando um pouquinho de como foi me apaixonar por esse seu lado B. é, moço&#8230; você foi e foi bom. foi bem. a nossa viagem de casa anda melhor assim porque antes nem andava.  e eu aproveito pra brindar com quem me entende e não faz falta. com quem me leva, me dá alento, me devolve o sono e me faz abraçar o travesseiro mais ternamente. e enquanto eu te falo sobre essas coisas, o vinil dança e dita o ritmo da minha companhia. veja bem, meu bem&#8230;arrumei alguém chamado saudade.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1289/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1289&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>7 motivos pelos quais você foi colocado numa friendzone.</title>
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		<pubDate>Sun, 27 May 2012 18:12:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Bovolento</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Todo mundo passa por aquele momento na vida em que cai na Friendzone. A falta de demonstração clara da atração física junto com a falta de confiança para ter uma iniciativa leva a condições pouco favoráveis de aproximação. Você se vê meio como um estrategista que não sabe bem como se aproximar e ganhar o <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1279&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://entretodasascoisas.files.wordpress.com/2012/05/ross-rachel1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1280" title="ross-rachel1" src="http://entretodasascoisas.files.wordpress.com/2012/05/ross-rachel1.jpg?w=510&h=319" alt="" width="510" height="319" /></a></p>
<p>Todo mundo passa por aquele momento na vida em que cai na Friendzone. A falta de demonstração clara da atração física junto com a falta de confiança para ter uma iniciativa leva a condições pouco favoráveis de aproximação. Você se vê meio como um estrategista que não sabe bem como se aproximar e ganhar o outro num jogo de conquista e daí surge uma brecha: você pensa em se tornar amigo ou ter uma relação inofensiva mais próxima com a pessoa para poder ter essa tal aproximação e, quem sabe, conseguir o que tanto quer. O problema e a razão da tal da friendzone é justamente esse: uma vez dentro, raramente se consegue escapar. O outro monta uma imagem inofensiva e sem o apelo sexual necessário para que a atração se desenvolva fora do ambiente de amizade.</p>
<p><span id="more-1279"></span></p>
<p>Para quem vive a friendzone fica o dilema: arriscar agora e talvez conseguir transformar a tal amizade ou deixar pra lá e rezar para um dia conseguir sair dessa? E a resposta é clara: deveria ter investido desde o início no interesse romântico como alguém que sente atração sexual e/ou sentimental pelo outro sem esse mimimi de amizade pensando no que pode vir a acontecer. Mas, e quem coloca alguém na friendzone? Quais seriam os motivos que levam a isso? Seria intencional ou proposital? A seguir, eu listo <strong>7 motivos pelos quais você foi colocado numa friendzone</strong>.</p>
<p><strong>1)</strong> Não existe o mínimo de atração física. Talvez a pessoa já saiba dos seus interesses e apenas finja que não sabe para não ter que ser grosseira. Você é legal, bacana, faz o papel de namorado(a), mas isso não influencia na atração que o outro sente. Se não rolar o mínimo de atração – e aqui entra o teste do álcool – você está automaticamente na friendzone. É o clássico “não faz meu tipo”.</p>
<p><strong>2)</strong> Tem gente que gosta de manter a auto-estima em alta e nada melhor do que um capacho ao lado cumprindo esse papel. Os caçadores de auto-estima são aqueles que aparentemente querem algo com você e alimentam as investidas com comportamento ambíguo, mas na verdade estão te cozinhando para ter sempre alguém que elogie e faça coisas por eles. E a esperança de quem sofre com esse tipo é a de que, uma hora, eles estarão disponíveis, terminarão o namoro, vão precisar de um ombro amigo, entre outras coisas.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://healthyandbeloved.com/wp-content/uploads/2012/02/tumblr_lznhqqnjGY1qejx9ko1_500_large.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p>
<p><strong>3)</strong> Aprenda: existem pessoas que realmente não sabem dizer não. São aquelas que vão dando corda porque não sabem cortar a situação de um jeito não-traumático ou grosseiro. Geralmente, são infantis ou tem medo de encarar as situações de frente a acabam envolvendo o sujeito que caiu na friendzone de forma a parecer que é recíproco. E também pode ser o velho: boa demais, legal demais, bacana demais. Demais pra mim. Não no sentido de boa demais pra mim, mas no sentido de “certa demais pra mim que até enjoa”. E daí dá-lhe friendzone.</p>
<p><strong>4)</strong> Te falta uma certa agressividade e atitude. É aquele tipo de friendzone que tem cura, mas que depende da forma com que você vai virar o jogo. Se ficar nessa de amizade ouvindo sobre os fracassos amorosos e sobre como aquela outra pessoa é especial e blá, blá, blá&#8230;A tendência é que você permaneça no calabouço eterno da indiferença. Às vezes a gente até acha que poderia rolar alguma coisa, mas a outra pessoa não age mais claramente que a gente chega à conclusão de que não vale a pena.</p>
<p><strong>5)</strong> Gurias: homens somos tapados. Se quer algo com a gente, você tem que ser femininamente mulher. Parece redundante, mas não é. Muitas mulheres acabam se tornando aquele nosso brotherzão que a gente chama pra jogar videogame e falar de outras mulheres. Aquele tipo de amiga que a gente acaba esquecendo que também é mulher. Esse é o caminho da morte sexual. A gente pode até ter vontade de te comer no início, mas a partir do momento em que chamarmos vocês com o sufixo “ão” no final, a coisa morreu.</p>
<p><strong>6)</strong> Todo mundo gosta de um fucking friend. Mas então porque não aproveitam a friendzone pra isso? Porque só existe uma coisa mais forte do que a atração sexual: se a gente gosta de alguém, automaticamente os outros que chegarem com um papinho amigável sem muita autoridade vão parar na friendzone. E, geralmente, é daquelas friendzones bem frias que ligam pra pedir conselho e contar quando rola uma decepção.</p>
<p><strong>7)</strong> Muitas vezes (na maioria das vezes) a friendzone não é intencional. Rolou aquele interesse e tal, mas parece que você preferiu ir por um caminho mais seguro. Você descarta a imprevisibilidade e aposta na escada dos campeões. A gente brocha. Isso serve tanto pra homem quanto pra mulher. A gente dá uma bela brochada quando a pessoa que parecia ter uma sincronia maneira com a gente começa a perguntar sobre ex, começa a fazer amizade e vai abrindo automaticamente as portas da friendzone. A culpa não foi nossa: você entrou sozinho nessa.</p>
<p>E aí: concorda ou discorda de algum item? Acrescentaria mais algum?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1279/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1279&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Chega uma hora que a gente tem que parar.</title>
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		<pubDate>Wed, 23 May 2012 23:55:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Bovolento</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e ensaios]]></category>
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		<description><![CDATA[O tempo todo se fala de começar e fechar ciclos. O próprio ato de dormir e acordar na manhã seguinte sugere o fechamento de um dia e início do outro. São segundas, terças e quartas que nunca se repetem. São semanas que variam dentro de meses diferentes que transcendem anos. Um dia nunca é igual <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1267&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://entretodasascoisas.files.wordpress.com/2012/05/tumblrbabysleeping.jpg?w=500&h=333" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>O tempo todo se fala de começar e fechar ciclos. O próprio ato de dormir e acordar na manhã seguinte sugere o fechamento de um dia e início do outro. São segundas, terças e quartas que nunca se repetem. São semanas que variam dentro de meses diferentes que transcendem anos. Um dia nunca é igual ao outro e aquela máxima de viver um dia de cada vez parece ser mais natural do que parece. Mas e quando se fala em amor?</p>
<p><span id="more-1267"></span></p>
<p>Histórias batidas de términos ilustram as televisões e os romances de prateleiras desde que o mundo se entende por gente. Amores épicos e confusos, trágicos e simplórios se estendem pela História da humanidade paralelamente ao desenvolvimento de sociedades antigas e contemporâneas. A gente já aprendeu como se cura uma decepção amorosa das mais diversas e criativas formas. E também ouvimos receitas e mais receitas de como terminar um relacionamento, desde aquele primeiro amor juvenil ao relacionamento à distância que sufocava os dois.</p>
<p><strong><em>Quando a gente precisa de um tempo pra gente?</em></strong> A ideia é que seja um tempo para colocar as coisas no lugar, aproveitar a solteirice e preparar terreno para quando bater aquela vontade de se doar a alguém. A ideia do tempo em que não estamos nos relacionando deveria servir justamente para isso: não pensar e buscar novos relacionamentos. O estar sozinho passou a ser considerado um crime. É sinal de fracasso e indica falta de algo. Mesmo com a revolução sexual e com <a href="http://www.casalsemvergonha.com.br/2012/01/16/pelo-direito-de-ser-feliz-sozinho/" target="_blank">as grandes possibilidades de se estar feliz sozinho</a>, muita gente ainda levanta a bandeira da necessidade de ter alguém, ou pior, de buscar alguém. Essa busca desenfreada tira o olhar do “eu” e direciona o olhar para o outro. Pode parecer natural ou um alarde desnecessário, mas a partir do momento em que não aproveitamos e entendemos aquele espaço de reclusão, passamos a nos tornar escravos de uma ação: o ciclo da companhia.</p>
<p>O que a gente nunca deu atenção é sobre o hiato que acontece entre uma despedida e um encontro.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://data.whicdn.com/images/29069182/tumblr_m4e1yzPrT51r790v1o1_500_large.jpg" alt="" width="500" height="334" /></p>
<p>A nossa geração não sabe ficar sozinha. A gente aprendeu desde a criação social do homem que a vida é motivada por relacionamentos. A gente nasce de um relacionamento, cresce e estuda para ter condições financeiras e psicológicas para sustentar um relacionamento e fechar mais um ciclo. Óbvio que as condições estão mudando e que a busca pela independência tem nos tornado um pouco mais individualistas, o que sugere um rompimento desse ciclo vicioso e limitado de vida. Mas ainda assim somos carentes e buscamos companhia constantemente. Esse ciclo se comprova por aquelas frases de “ah, como eu queria estar namorando”. O importante nunca é quem, mas sim o status de estar ou ter. O olhar é tão perdido que valoriza mais o futuro da companhia do que o momento de reclusão, como se você não se bastasse e a busca da felicidade implicasse em achar alguém para trazê-la. <strong><em>Para onde foi o senso de “deixa estar” das pessoas? </em></strong></p>
<p>A pausa não se antecipa. Ela pede que você se distancie dessa fixação por companhia e aproveite a sua. Aproveite o tempo para entender melhor sobre você e sobre os seus gostos. Aproveitar a sua companhia e desenvolver habilidades e percepções que podem estar acopladas à ideia de felicidade. Meditar, comer besteira, encarar novos projetos e ler um livro de terror que você sempre morreu de medo. Quando a gente precisa de uma pausa, as coisas pedem calma e pedem tempo. E pedem que a atenção seja dada ao “eu” e não ao outro. E pedem um pouco de “deixa pra lá” nos relacionamentos e um pouco mais de entender que a vida pode ir bem além disso. É preparar o terreno sem ter essa intenção e perceber que isso vai melhorar a qualidade dos seus próximos relacionamentos porque melhora você. É como um mantra repetido toda noite de frente pra TV quando você troca de canal. A programação é extensa e filmes possuem gêneros diferentes. Então por que ver a mesma comédia romântica de sempre se você pode escolher um canal diferente que tenha mais a ver com você? E se a programação persistir a mesma, você pode desligar a TV.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1267/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1267&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Podia ter sido a nossa música.</title>
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		<pubDate>Sun, 20 May 2012 18:22:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Bovolento</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[clássico]]></category>
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		<category><![CDATA[sedução]]></category>
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		<description><![CDATA[– Achei que você nunca fosse pedir. Como vão as coisas? – Vão mal. Eu devo viajar no mês que vem e não queria te deixar aqui sozinha. Ainda mais quando você fica extremamente bonita enquanto eu te conduzo. Dá vontade de ficar te girando por uma noite inteira enquanto essa música vai dando ritmo <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1250&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://entretodasascoisas.files.wordpress.com/2012/05/tumblr_lvubj1gnx81qcx6bfo1_500.jpg?w=500&h=334" alt="" width="500" height="334" /> <span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://entretodasascoisas.com.br/2012/05/20/podia-ter-sido-a-nossa-musica/"><img src="http://img.youtube.com/vi/2lBqmJ9s3Ws/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>– Achei que você nunca fosse pedir. Como vão as coisas?</p>
<p>– Vão mal. Eu devo viajar no mês que vem e não queria te deixar aqui sozinha. Ainda mais quando você fica extremamente bonita enquanto eu te conduzo. Dá vontade de ficar te girando por uma noite inteira enquanto essa música vai dando ritmo pra gente.</p>
<p>– Você acha realmente que a gente tem ritmo? Eu digo&#8230;não sei se os seus passos casam com os meus. Eu sou mais agitada que isso. Você é clássico demais. Narcisista demais, até. Achou que eu não percebi a sua tentativa de conquistar as outras mulheres do salão enquanto me conduz? Você é um desses bonitinhos adoráveis que a gente manteria por perto pra sempre. Mas é um baita dum pretensioso.</p>
<p><span id="more-1250"></span></p>
<p>– O que te faz pensar que eu não tento te seduzir? Meus olhos estão fixos nos seus&#8230;</p>
<p>– Mas o seu olhar é periférico. Você olha pra mim e pra todas. É como se o seu mundo fosse mais amplo do que você costuma mostrar. E eu sei que é intencional. Dobra a perna. Isso, agora me passa por baixo do braço. Tá vendo aquela mulher de rosa por trás do meu ombro esquerdo? Ela reparou que você mexeu no meu brinco e sorriu. E se eu girar assim, do nada&#8230;</p>
<p>– Opa, calma lá.</p>
<p>– Me acompanha. Ou você tem medo de arriscar a dança e perder o passo? Homens são sempre feitos de manuais. Se eu desvio, você se perde. Se eu conduzo, você se fragiliza. Acho que você devia aprender a lidar com imprevistos.</p>
<p>– E você é muito mais inteligente do que eu pensei que fosse. Deixa as senhorinhas e as meninas pra lá. Você ganhou a minha atenção por essa noite. Como em todas as outras.</p>
<p>– Como é que eu vou fazer quando essa música acabar?</p>
<p>– Você só se lembra da letra enquanto toca a música? Você entrou no jogo e aprendeu a jogar. Te devo algum respeito e não consigo negar que você é bem interessante. Já pode devolver as chaves do meu apartamento se quiser.</p>
<p>– Não devolvo. Ele é meu até quando eu quiser. Aliás, essa podia ser a nossa música. Pra você se lembrar de mim sempre que estiver dançando com elas. Elas vêm, você conduz. Elas vão, você se lembra de mim. Simples e doloroso assim. Será que você vai sentir saudades?</p>
<p>– Cara ou coroa? Se você ganhar, eu confesso a verdade. Ou eu posso sussurrar baixinho assim&#8230; Na ponta do seu ouvido. Quer ouvir a verdade ou prefere que eu pare de chegar mais perto?</p>
<p>– Continua. Eu dobro a aposta se você conseguir me manter interessada até a música acabar. Mas já disse&#8230; Essa podia ser a nossa música. Pra você lembrar da cor do meu vestido e, quem sabe, da cor dos meus olhos depois. Pra você lembrar de cor do sexo e da textura das minhas pernas. Pra você lembrar do meu quarto e da silhueta do meu corpo. Mesmo que eu saiba que você só vai se lembrar da minha bunda e de algumas poucas palavras no fim de tudo.</p>
<p>– Você me subestima. E eu vou sentir saudades. Giro a perna ou paro de olhar nos seus olhos? Assim, vem pra esquerda. Vou te levantar na virada do refrão. Isso&#8230;  Se eu dissesse que você é uma daquelas mulheres para se lembrar, você acreditaria em mim?</p>
<p>– E por que não acreditar? Você se lembra de mim desde o dia em que me viu. Eu sou aquela promessa maluca de mudar o seu mundo em meia hora. Mas esse seu chapéu não combina nem com a promessa, nem com o tempo lá fora. Ele é igual a todos e igual a nenhum. Tem a cor padrão, mas pertence a você. Será que você vai mudar a minha história?</p>
<p>– Essa poderia ser a nossa música. Se eu conseguisse te conquistar, certamente ela seria. E o seu vestido é da cor dos seus olhos. É por isso que eu vou lembrar enquanto estiver longe. Você podia me dizer o seu nome e talvez eu te dissesse o meu. Já não somos desconhecidos desde que você me decifrou. Sou um canalha para todas as outras, mas me bateu vontade de ficar. E prometo não dar o nome falso dessa vez. Por que parou?</p>
<p>– Podia ter sido a nossa música. Podia ter sido você. Mas você demorou demais. Nem que sim, nem que não. Se você conseguisse me conquistar, a gente teria se lembrado dessa dança e desse momento. Mas agora a música acabou e eu já não sei se foram dois ou três pulos, cinco ou seis giros. Essas coisas são efêmeras demais, rapaz. E realmente podia ter sido a nossa música e eu podia ter te amado pra sempre. Mas você não quis.</p>
<p>– Se você disser seu nome, eu posso te conquistar nessa nova música e nessa nova dança. E essa pode ser a nossa música, a nossa história e o nosso minuto eternizado. Vai me dizer que não gostou de ser conduzida por mim?</p>
<p>– Foi quase bom, mas você perdeu o momento. Da próxima vez, tente com um pouco mais de carinho. Mas a música de agora é boa. Talvez ela seja sua e de mais alguém. Ela só não é a nossa música.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1250/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1250&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Melancolia.</title>
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		<pubDate>Tue, 15 May 2012 02:04:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Bovolento</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e contos]]></category>
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		<description><![CDATA[Esse ar de tristeza é a sua identidade. A chave da porta da frente da alma. É como se uma bolha invisível tomasse conta e dissesse pra ele “você não pode e nem deve sair daqui”. É essa a realidade das noites com seu travesseiro. Descansa a cabeça, mas desatina a pensar. Bomba-relógio. Sou eu <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1233&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://fc03.deviantart.net/fs70/f/2010/025/e/8/alone_man_7_by_scheissegal.jpg" alt="" width="2896" height="1944" /> <span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://entretodasascoisas.com.br/2012/05/14/melancolia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/KRQXi8iAAVs/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Esse ar de tristeza é a sua identidade. A chave da porta da frente da alma. É como se uma bolha invisível tomasse conta e dissesse pra ele “você não pode e nem deve sair daqui”. É essa a realidade das noites com seu travesseiro. Descansa a cabeça, mas desatina a pensar. Bomba-relógio. <em>Sou eu explodindo pro mundo ou o mundo que não cabe em mim?</em> Ele se pergunta sobre isso todos os dias. Sobre quando essa agonia vai ter fim e alguma coisa vai indicar que a caminhada acabou. E sempre acaba chegando à conclusão de que o importante é a caminhada e que essa sensação não vai passar nunca. Como um bom amigo, essa melancolia estende a mão e o convida para um café. Não se deixa levar pelas modas das revistas, nem pelos anúncios na TV. É atemporal, do século passado, uma tremenda contradição. Se desenrola em tons pastéis e parece ser a única coisa que o entende. Que o atende. Que o entendia. Que o deixa ser.</p>
<p><span id="more-1233"></span></p>
<p>Aquela fotografia de algum tempo atrás marca um auto-retrato de alguém que ele não conhece. O espelho diz uma coisa. As pessoas na rua dizem outra. O registro fotográfico denuncia um terceiro sujeito. Acho difícil mesmo é que um dos três, seja qual for o real, carregue em si essa força tão grande. Essa força que parece forca e sufoca o sorriso. Que faz doer sem precisar apelar para o tato. Que pede um berro e é silenciado pela falta de voz. Essa melancolia o alegra e dá algum sentido a ele. Ou, pelo menos, faz achar que tem algum sentido. Não sabe em que rua se perdeu. Em que rua o jovem garoto de barba grande e cabelos ao vento entregou sua rebeldia ao diabo e se fez sofredor. Ainda apostam que ele perdeu algo no caminho e se desesperou. Eu aposto na causa natural da vida. Ele é desses rapazes completamente insatisfeitos com a vida que tem e com a vida que pode ter. Mas tem sede de viver e de abraçar o mundo. E é justamente isso que faz doer.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://30.media.tumblr.com/tumblr_lhyge4k9pc1qcjz9ao1_500.png" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p><em>E quantas vezes você já racionalizou o mundo?</em> Já relativizou a existência como um simples ponto no meio do mapa. Já se perdeu nos Andes e se encontrou numa cidade qualquer a oeste do Pacífico. Já navegou por alguns mares e se perdeu em terras desconhecidas. É só fechar os olhos. Tudo deixa de ser e retorna ao ponto de partida. Se ninguém acender as luzes, quem é que vai saber para onde ir?</p>
<p>Não é nada. E nada. Nem ninguém.</p>
<p>Nenhum deles pode explicar essa angústia silenciosa de quem sofre sem razão. Nem a própria razão consegue desvendar os segredos desse cofre guardado no peito. Rasga a pele e traz para mais perto o que imagina que seja o motivo. Mas o velho amigo ainda está lá, com uma expressão triste e falseada no rosto. É como se ele soubesse que, no fim das contas, se questionar demais é admitir a tristeza. Ser feliz é se enganar. Fechar os olhos para o mundo, calar essa inquietação de quem procura algum destino e abrir o peito para jornada. A busca justifica a vida. E ainda sobra a esperança.</p>
<p>Mês que vem vai ser melhor. Talvez ele acorde e alguma revolução se faça no seu mundo. Talvez as cortinas acordem pintadas de outra cor e brote um motivo qualquer que o faça feliz. Talvez ele pare de questionar e comece a se responder. Talvez ele se explique e se resolva. Talvez ele deixe toda essa besteira pra lá. <strong><em>E você?</em></strong> A única certeza é de que alguma coisa um dia vai acontecer para mudar tudo isso. A única certeza. Ou a única esperança.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1233/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1233&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Segundas chances nunca dão certo.</title>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 22:31:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Bovolento</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu apostei errado. E o que mais dói é reconhecer isso. Não é pela perda do tempo ou do investimento. É pela perda da história toda. Aquele momento em que eu paro e me pergunto se não teria sido melhor se nem tivesse tentado. Me alertaram sobre segundas chances e esse nosso modo requentado de <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1226&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://pull.imgfave.netdna-cdn.com/image_cache/128582634352801.jpeg" alt="" width="500" height="371" /> <span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://entretodasascoisas.com.br/2012/05/08/segundas-chances-nunca-dao-certo/"><img src="http://img.youtube.com/vi/yFTvbcNhEgc/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Eu apostei errado. E o que mais dói é reconhecer isso. Não é pela perda do tempo ou do investimento. É pela perda da história toda. Aquele momento em que eu paro e me pergunto se não teria sido melhor se nem tivesse tentado. Me alertaram sobre segundas chances e esse nosso modo requentado de fazer as coisas. Não dei ouvidos a eles e me cansei no exato momento em que disseram que a nossa engrenagem já tinha enferrujado porque passou muito tempo sem funcionar. Fui mais teimoso ainda e tentei mais uma vez. À força. Na marra. Com vontade e empurrões até as coisas voltarem a girar no tranco.</p>
<p><span id="more-1226"></span></p>
<p>Amor que já passou é meio como aquela camisa velha que a gente ainda guarda com carinho. Não é mais bonita como antes, não cai tão bem quanto antes e também não tem mais tanta utilidade assim. A gente vestiu por algum tempo, deixou que todos nos vissem com ela, passou por bons e maus momentos com ela. E daí ela simplesmente foi tirada da gaveta de cima e colocada no fundo do armário. Mas a gente não descansou. Foram algumas fotos e talvez o sorriso machucado do outro que aparecia de vez em quando. Foram as notícias de que você ia bem, obrigado. Foi saudade e a vontade de ter você aqui de novo. A gente alongou aquele ponto final e forçou um pouco o espaço para fazer caber algumas reticências.</p>
<p>E a camisa velha?  Se a gente ainda tirar do fundo do armário onde ela está escondida, a gente vai se agarrar. Nos agarramos. Maldito conselho. Maldito destino. A gente se baseia o tempo todo no otimismo das segundas e terceiras e quartas chances. Só que chega uma hora que a gente precisa admitir que não dá mais. Que acabou. Que o nosso amor requentado já passou da validade e não serve mais pra ser usado de vez em quando. O algodão da camisa é familiar, o conforto é melhor do que qualquer outro tecido e existem lugares e lembranças embutidos naquela peça de roupa. Deveria jogar fora de uma vez por todas. Mas não sei se eu consigo jogar fora assim. O apego quer que eu continue vestindo essa camisa pelo tempo que ainda puder.</p>
<p>O problema é olhar pra você e dizer que eu vou embora. E te encontrar por aí amanhã com aquele olhar de quem acreditou mais uma vez em nós. Como se eu tivesse feito uma promessa furada. Como se eu não tivesse perdido nada nessa decisão. O problema é pensar que o erro foi duplicado. E dividido por dois. Eu e você na corda bamba das segundas chances cheios de boas intenções. O pior nem é o erro mesmo, a gente sabe. O pior é o acerto que não foi revogado, convocado de volta ao fundo do armário. E agir como dois conhecidos que compartilharam duas vidas. Uma tentativa e um outro fracasso. A dor agora é dor repetida. A sensação que acompanha o empacotamento das caixas mais uma vez.</p>
<p>A gente já viveu isso e repetir parece duplamente doloroso. Se não bastasse o rumo, a gente tinha que perder o jeito? Segundas chances deveriam vir com um aviso de “Cuidado. Frágil!” na caixa de entrega. E deveria ser proibido que nos dessem outras chances além dessas. Nossos contos não foram feitos para serem revividos, nem reinterpretados. Mas amor interrompido tem dessas coisas de remendo. Ficam as sobras, a gente costura. Ficam as sombras, a gente esconde. Fica a falta de novidade e a gente aprende a viver de velhas notícias. Mas amor mesmo é aquele que desperta a gente todo dia. Exige frescor e não suporta repeteco. Dessa outra vez, eles não alteraram o script. Deram uma série conhecida pra gente interpretar. Você conhece as cenas e eu também. Mas a gente não admite que o final esteja ali, tão certo como no roteiro. A gente bateu o pé e tentou mudar o rumo. E ficamos apenas na tentativa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1226/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1226&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Morena.</title>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 21:07:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Bovolento</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olha só, morena. Quanto tempo faz que a gente não se vê? Você pode não lembrar, mas você nunca deixou de ser você. Aquela menininha com o chiclete de maçã que um dia me disse “eu ainda caso contigo, guri”. Tão tonto e tão moleque, eu não entendia de flores, amores, futuro, vida adulta, responsabilidades <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1216&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://data.whicdn.com/images/4427870/tumblr_laer3faYOn1qdsoi6o1_500_large.jpg" alt="" width="500" height="338" /> <span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://entretodasascoisas.com.br/2012/05/03/morena/"><img src="http://img.youtube.com/vi/-Ty7jtVUGSc/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Olha só, morena. Quanto tempo faz que a gente não se vê? Você pode não lembrar, mas você nunca deixou de ser você. Aquela menininha com o chiclete de maçã que um dia me disse “eu ainda caso contigo, guri”. Tão tonto e tão moleque, eu não entendia de flores, amores, futuro, vida adulta, responsabilidades e blá, blá, blá. Vai ver era isso que fazia a gente dar certo na hora do recreio. E o sinal batia, mamãe chegava, você me dava um beijo na bochecha e o seu vestidinho florido desaparecia na esquina do fim da rua.</p>
<p><span id="more-1216"></span></p>
<p>Olha só, morena. Hoje eu abri o jornal e parece que a chuva vai apertar amanhã. Tá levando guarda-chuva? Engraçado que quando eu ouvi “guarda-chuva” pela primeira vez, eu pensei numa caixa. Um guarda-água pra gente usar quando quisesse viver um amor líquido de cinema. Morena, essa gente do jornal é tão sem esperança. Tranformaram as tragédias em rotina. É que as alegrias de bolso não dão manchetes. Elas são bobagem perto do caos. Daí eu viro a página e vejo o seu rosto sorrindo pra mim. Será que eles acreditam que a gente ainda pode salvar esse mundo?</p>
<p>Olha só, morena. Você não mudou nadinha. Hoje em dia eu só te vejo na TV. Você brinca de vilã, doce, sonsa e mocinha e mal sabe que, no fundo, me faz bem. Você diz que não entende o que eles vêem em você. Mas é que a capa e a fantasia te caem bem. Super-heroína, sabe? Aquela mesma que largou meu Saturno para tentar salvar o seu. Você me liga às vezes pra contar daqueles dias. Espero que não faça frio aí. Leva um casaco e ma maçã e me manda um e-mail. Se isso não bastar, eu corro aí. Mesmo que eu não me destaque na sua multidão de seguidores e seguranças, eu corro.</p>
<p>Olha só, morena. O relógio anda voando. Eu peguei meu violão e musiquei a gente. E o tempo fez ciranda de nós enquanto eu fazia esse som. Talvez você acorde meio tarde demais desses seus novos planos e se lembre do início antes do fim. No próximo fim de semana eu espero mais um pouco para te ver na piscina me olhando com algum carinho que a gente tem. Fico segurando a sua lancheira para não perder tempo no nosso recreio. Mesmo sabendo que uma hora o sinal bate e você desaparece na esquina de novo. Amanhã não tem aula e eu não vou te ver, mas eu corro aí. No fim, eu sei que você sempre se lembra de mim quando dá o comercial entre as suas cenas. É por isso que eu nunca mudo o canal da TV. E nem tiro aquele anel que você colocou no meu dedo uma vez.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1216/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1216&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>10 coisas que eu (ainda) odeio em você.</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Apr 2012 22:54:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Bovolento</dc:creator>
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		<category><![CDATA[amor]]></category>
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		<description><![CDATA[1) Você ainda se lembra da nossa música. Eu caio no esquecimento e me preocupo sempre que algo dos anos 80 toca por medo de não reconhecer a tal música. Você não fala nada. Nunca fala. Só me dá aquele sorriso terno como se fosse a primeira vez. Pra você é sempre a primeira vez, <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1197&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://entretodasascoisas.files.wordpress.com/2012/04/tumblr_lkiv8ttgg51qh95cso1_500.png?w=500&h=280" alt="" width="500" height="280" /> <span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://entretodasascoisas.com.br/2012/04/29/10-coisas-que-eu-ainda-odeio-em-voce/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Z3C83KdIljo/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>1) Você ainda se lembra da nossa música. Eu caio no esquecimento e me preocupo sempre que algo dos anos 80 toca por medo de não reconhecer a tal música. Você não fala nada. Nunca fala. Só me dá aquele sorriso terno como se fosse a primeira vez. Pra você é sempre a primeira vez, meu bem. E eu odeio não conseguir retribuir à altura por conta da minha distração.</p>
<p>2) Odeio o fato de você me ler. Cocei o nariz. Você já sabe que é a minha alergia diária às pessoas chatas que puxam assunto. Eu bocejo. É tesão e você ri. Na verdade, eu me odeio por ser tão facilmente lido por você. Você fez curso de braile no meu corpo. Aprendeu a entender cada mínimo movimento que eu faço. E isso me faz sentir vulnerável na sua frente. O ogro que vira um daqueles filmes preferidos em que a gente já decorou as frases e as próximas cenas. Com você eu sou script rodado.</p>
<p><span id="more-1197"></span></p>
<p>3) Você me antecipa. Eu faço planos traçados para um futuro remoto e você me faz trazê-los para mais perto. Talvez você saiba que eu adio a vida por medo de viver no modo tutorial. Não fomos feitos para viver o passo-a-passo. Você me antecipa e me faz viver o “faça você mesmo”. E a minha insegurança se dissipa. Porque você me dá a mão sempre para dizer que está aqui.</p>
<p>4) Aquele caixote velho me irrita. É a sua caixinha de memórias. O seu infinito particular. Você é metódica. Os primeiros ingressos de cinema. A embalagem do primeiro serenata de amor. O primeiro cd personalizado com músicas que você nunca tinha ouvido antes. Você me guarda de um modo carinhoso, mas que me tira a liberdade de deixar de ser a todo o momento. Pra você eu sempre sou.</p>
<p>5) A sua mãe ainda fala mal de mim na sua frente. E eu sempre achei isso bastante interessante. É meio que uma forma de dizer que eu sou um risco a sua saúde emocional. Um desvio de percurso na sua vida. Ela não teria planejado assim se pudesse. E você me defende tanto. Eu me sinto menosprezado pela sua atenção. É loucura minha. Mas eu detesto o modo como você me vê. Ser o homem da sua vida é responsabilidade demais pra mim. Eu queria ser o erro da sua vida, como diria a sua mãe. E te conquistar a cada acerto que provasse o contrário.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://s2.favim.com/orig/35/aws-boy-couple-cute-flowers-Favim.com-283076.jpg" alt="" width="500" height="395" /></p>
<p>6) Confesso que fiquei frustrado quando você não chorou no fim do filme. O Marley me fez parecer uma menininha perto de você. Dura na queda e no choro e na vida. Quem te fez ter esse coração de vulcão? Imponente por fora, mas cheio de lava derretida por dentro. Adormecido. E eu ainda espero o dia em que toda essa ternura vai explodir de dentro de você. Mesmo que isso me machuque de alguma forma. Eu espero.</p>
<p>7) A janela. Você ainda possui esse ritual. Levanta, fecha, se deita e esquece a vida lá fora. Uma vez na vida, eu queria que você fosse um pouco menos egoísta consigo mesma. Você é doce, meu bem. Mas se esquece de que existe tanta coisa lá fora que poderia te fazer mais feliz. Sol ou chuva? Qual é o humor da sua felicidade hoje? Nada melhor que uma janela aberta e o vento batendo no rosto para lembrar que você está vivo. Mas você prefere não arriscar e deixar que o mundo não te invada. E eu ainda detesto que você seja restrita assim. Mesmo que seja por segurança.</p>
<p>8) Seus olhos são verdes. Mas essa sua teimosia diz que eles são azuis. Essa sua teimosia é o que te faz completa. Por incrível que pareça, ela não te deixa estagnada. É uma teimosia meio veloz, meio careta. É sempre isso e ponto final. Mas calma aí que tem outro parágrafo. Você é assim e isso me dá um desgosto profundo. Porque eu nunca consigo ganhar de você em discussões. Nem quando eu digo que o amor é roxo e você consegue me provar de alguma maneira que ele é azul. Maldita teimosia.</p>
<p>9) O seu guarda-chuva amarelo. Já pedi que o jogasse fora e você disse que não podia. Já pedi abrigo nele e você disse que me daria. Mas a verdade é que eu quero me molhar na chuva com você todas as vezes em que chover. Eu ando propositalmente sem proteções e queria que você fizesse o mesmo. Sem capa, sem guarda-chuva e sem cobertura. E a gente podia aproveitar o cobertor depois de se secar para reconhecer que passamos frio e temos um lugar melhor pra nós dois. Você, às vezes, desperdiça essas oportunidades.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://data.whicdn.com/images/18988881/110_large.jpg" alt="" width="500" height="338" /></p>
<p>10) Meus textos. Eu ainda odeio que você me faça escrever sobre você. Todos os dias, todas as horas. E sobre essa imperfeição que nós somos. Sobre as coisas que eu odeio e sobre as nossas diferenças. Sobre o que eu amo e sobre o que eu nunca deixo de amar em você. Eu odeio um sem-número de coisas e eu te amo. Essa contradição se explica no quarto, na sala, no corredor do nosso prédio. Se explica no grito, na raiva e na discussão. Se explica nas nossas diferenças e no apelo sincero do “por favor, volta”. Eu ainda odeio tudo isso em você, mas é impossível não gostar do conjunto. Não respeito as nossas diferenças, mas as amo. Porque se você fosse muito igual a mim, certamente eu a rejeitaria. Eu gosto de você assim com esses erros bobos e esses acertos enormes que fazem de você alguém bem diferente de mim.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1197/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1197&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Não vale a pena.</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 01:41:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Bovolento</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quatrocentos e vinte nove dias e cinco horas mais dois minutos. O que você está fazendo da sua vida? Como se eu tivesse ideia do que eu mesmo estou fazendo da minha. A rotina das minhas retinas escancaram modismos e comodismos. Não era você que ia salvar o meu mundo e mudá-lo radicalmente em três <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1188&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://fc08.deviantart.net/fs71/i/2010/190/0/b/Please_don__t_leave_me_alone_by_nevervoid.jpg" alt="" width="800" height="533" /> <span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://entretodasascoisas.com.br/2012/04/25/nao-vale-a-pena/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Uj1AOKUPYTY/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Quatrocentos e vinte nove dias e cinco horas mais dois minutos. O que você está fazendo da sua vida? Como se eu tivesse ideia do que eu mesmo estou fazendo da minha. A rotina das minhas retinas escancaram modismos e comodismos. Não era você que ia salvar o meu mundo e mudá-lo radicalmente em três minutos? Até que conseguimos aumentar esse tempo com paciência e desaprovação. Quando a gente vive com muita vontade alguma coisa, a mentira se torna real demais pra que a gente acredite que era só uma mentira. Ela constrói um mundo inteiro como se fosse um castelo de cartas. Prazer, rei de paus. A rainha de copas soprou o castelo, deu meia volta e nos sabotou.</p>
<p><span id="more-1188"></span></p>
<p>Eu te projetei um pouco. Mas essa confissão a gente só faz depois que já passou uns dias maldizendo e dizendo que a culpa é toda nossa. Existe uma sensação de poder em volta da culpa. A culpa foi minha, logo, não deu certo por minha causa. Eu mantive esse egocentrismo durante todo o tempo e agora eu me vejo nessa posição de controle que é fascinante. Você pode se assustar com a forma com que estou lidando com isso e me chamar de cruel. Mas eu acho que você que era cruel demais. Pelo menos eu quero me lembrar de você assim: cruel demais. Girar a maçaneta com tanta convicção e me dizer que eu matei os seus sonhos. Bobagem. Quem precisa sonhar quando se consegue fingir tão bem que é feliz?</p>
<p>Você precisa de mim. Em todas as suas pinturas havia algo de mim. Esfreguei na sua cara outras mulheres como se elas fossem alguma coisa. Eu sou do tipo de perdedor que mantém um troféu em casa e se vicia em apostas. A maior delas foi você. Eu achava que conseguiria corromper essa sua coisa sonhadora e idealizada. Você era boa demais, sabe&#8230; Bonitinha demais, legalzinha demais, boazinha demais. Você tinha um conjunto certo demais. E isso sempre me enjoou em você. Mas cada um de nós pensa que pode mudar o outro para que ele se pareça mais com o que a gente espera. Ela vai conseguir romper isso e ser realista; vai conseguir reprimir o pudor e fazer uma lista; vai se deixar levar por mim e se largar de lado. Eu queria uma mulher feita para deixar de ser. Eu queria você assim: como eu quero. Com toda a intensidade e da maneira que eu acho melhor. Mas, porra! Você tinha que cismar em brincar com a minha paciência e se preencher como uma das suas telas. Eu queria você em branco, sem nenhum rabisco, sem nada, meu bem.</p>
<p><img alt="" src="http://data.whicdn.com/images/19397039/tumblr_lw7fxyixN81qk28yro1_500_large.jpg" class="aligncenter" width="500" height="334" /><br />
Arte incompleta, mas você tinha talento. Só me provou no final. Mas não importa. Toda mulher precisa de uma lição e que essa lição venha de quem entenda de moldes. Você vai aprender a moldar os seus próximos amores agora. Todo mundo aprende. Basta que chegue a grande decepção amorosa da nossa vida que a gente aprende a ver os outros de uma nova forma. Eu queria discutir com você sobre o seu novo manual de instruções, mas você foi rápida demais. Precisava dizer que era pra você ficar e que a gente podia se destruir junto. Eu sempre gostei desse joguinho de quem fere mais e quem ama menos. Masoquismo puro, meu bem.</p>
<p>É divertido, você vai descobrir isso. Projetei esse parasita dentro de você como um pequeno vírus que vai crescendo cada vez que algum deles chegar perto de você. Eu te programei para sofrer. Isso era o que você estava fazendo da sua vida quando resolveu depositar em mim a sua felicidade. Mas aqui fica a lição que eu tanto quis te ensinar: nenhuma pessoa é lugar de repouso. Tarde demais, meu bem. Você acaba de descobrir que a pena é muito dura para carregar sozinha. Mas, se quiser, eu te ajudo nessa.  Se me deixasse falar, eu teria me despedido de vez. Você só virou a chave, virou a cara, virou o mundo e me disse que. É uma pena, mas você não vale a pena.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1188/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1188&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Por uma vida menos ordinária (sem você).</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Apr 2012 20:38:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Bovolento</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="https://lh5.googleusercontent.com/-WudCsGCBXP8/TWi0qHVQQ3I/AAAAAAAAAQI/MdpRulLBPMo/Christmas+Travel+Chaos.jpg" alt="" width="500" height="335" /> <span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://entretodasascoisas.com.br/2012/04/21/por-uma-vida-menos-ordinaria-sem-voce/"><img src="http://img.youtube.com/vi/WL2UhnQCjBI/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>A gente só percebe a falta quando cai a ficha. É aquele momento que não separa ninguém por raça, sexo ou religião. Todo mundo sente o mesmo, seja dor ou impacto. Todo mundo sente. Aquele minúsculo centésimo de segundo que antecipa a pancada brusca que a gente recebe no coração. Foi assim que eu senti quando me disseram. Quando o cara de branco com sorriso de comercial de TV chegou perto e me disse. Olha, rapaz, ela ainda está bem. Até quando? Isso eu não posso garantir, mas ela não deve segurar por algum tempo. E o que eu posso fazer com isso? Você não pode.</p>
<p><span id="more-1178"></span></p>
<p>Você não liga muito pra quantas voltas o mundo dá. Sempre foi assim e acho que eu entendi o sentido da espera. Você liga para o bom dia que o Seu José da padaria te dá. Você liga pra cor do batom que vai usar antes de sair para o trabalho. Você liga para as moedinhas barulhentas dentro daquela sua bolsinha roxa de moedas. Você esmiúça a vida e se completa com ela. Não são retalhos. Muito menos migalhas. Você me ensinou que um dia a gente some desse mundo e que os grandes feitos se tornam pequenos. Importante mesmo é quem vai estar lá pela gente na hora do adeus.  Você daria um belo roteiro pra qualquer diretor que soubesse reconhecer os lugares por onde passou e as coisas que realmente importam. Até a minha camisa xadrez e o óculos de leitura que me deixavam com um ar parisiense eram mais importantes para você do que pensar no amanhã. Você sempre foi do hoje. Seu modo de vida só transita pelo presente.</p>
<p>Cabine telefônica ocupada e você me fazendo gastar mais de quinze minutos numa fila. Foi assim. Seu primeiro aniversário e você me pediu de presente uma doação para algum orfanato. Não fui, mas pedi para enviarem. Não sei lidar com essas situações delicadas que mexem com a minha humanidade. A minha parte que sente e é capaz de chorar. Seu primeiro sorriso foi impagável. Julho de 86 num show de blues enquanto um cara esperto tocava o piano e eu me entupia de vinho segurando o choro. Você percebeu e sorriu. Eu sempre coloquei você à frente de uma porrada de prioridades minhas.  Você nunca foi personagem para conto de fadas. Um ogro e uma artista. Não poderia dar certo. E daí me vem esse câncer para ser o vilão da nossa história imperfeita e incompleta. Eu já suspeitava que isso não teria um final feliz. Eu nem queria que tivesse um final, pra ser sincero. Pra ser sincero, eu te odiei umas cinco ou seis vezes. Você me mostrou que a gente tinha muito que aprender. Mesmo enquanto todo mundo dizia que nós éramos ordinariamente vazios quando nos completávamos. Mas eu ainda não posso colocar um ponto final em você.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://data.whicdn.com/images/20200867/tumblr_ln0sydagfm1qzvsqto1_500_large.jpg" alt="" width="500" height="374" /></p>
<p>Acho que de nada adiantaria se eles te contassem. Você continuaria não ligando. Talvez você vá de uma vez. Talvez você se esqueça da briga de ontem e me desculpe por ter sido tão grosso assim. Talvez você fique de vez. Mas me desculpa por não conseguir segurar isso. Eu sou um desses ogros casca-grossa. Um menino assustado. Minha mãe e você são as únicas que conseguem perceber isso. Isso mesmo. Admito. Eu sou uma criança perdida. Um dos muitos caras que se protegem de sofrer com uma armadura indelével e uma lança. Sempre pronto para o ataque. Não fui feito à fragilidade. Mas agora é por você e só Deus sabe como o ritmo do meu peito mudou de uma hora pra outra.</p>
<p>Você me mudou. Minha cabeça de sonhador mudou e meu sonho passou a ser diário. E meu diário escondido de lembranças abriu uma caixinha na memória para registrar mentalmente uma fotografia de todas as coisas que me fizeram melhor e me fizeram feliz. Todas elas eram da sua autoria. E se eu pudesse fazer só uma coisa mágica nesse mundo, eu desaceleraria o tempo desde a primeira vez em que gostei de você até a sua entrada naquela sala. Você não sabia ou não me contou. Você não queria ou só pensou em como o meu amor por você não podia ir embora também. Talvez a gente congele no tempo e reviva isso tudo mais algumas vezes. Talvez a gente volte no tempo e exploda nas brigas mais ferrenhas. Talvez a gente avance e eu me veja cada vez mais sozinho. Sem você aqui, quem vai me fazer melhor?</p>
<p>É só que. Eu prometi pra você que nunca ia chorar. Mas. Desaprendi a cumprir promessas enquanto eu te via nesse estado. Desaprendi tudo o que sei se não for com você aqui perto para me lembrar de que eu sou melhor que eu mesmo. E você pode continuar esmiuçando a vida do meu lado. Eu vou gostar da sua careca, prometo. O meu pavor mesmo é em ter que te entregar flores nesse rito simbólico de despedida. Porque se você se for, quem morre sou eu. Morre o melhor de mim. Fica pra sempre? Eu não posso te prometer isso. Mas fica? Não depende de mim. Então promete que não vai fechar os olhos até eu sair da sala. Prometo. Eu posso conviver sem rima, sem verso e sem concordância nenhuma. O que eu não posso é ter que carregar o peso de uma vida ordinária sem você.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/entretodasascoisas.wordpress.com/1178/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=entretodasascoisas.com.br&#038;blog=15078214&#038;post=1178&#038;subd=entretodasascoisas&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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