Fode, mas fode com vontade [+18]


Perdoe a minha falta de jeito e a língua ferina, mas: por que você foge do bicho que tem aí dentro, baby? A fera que rosna e mostra os dentes é verdadeiramente quem você é. Tudo que vem com isso é você: sua boca que treme quando os seus olhos deslizam por um dorso nu, suas mãos que salivam por curvas sinuosas, suas unhas que trincam de desejo quando se enterram em quadris, braços, coxas, costas. Não fuja. Não finja.

Fode com vontade. Não fode em volume baixo, com medo de se deixar ser visto por quem te recebe de braços escancarados e pernas trêmulas. Agarra o sacrifício que lhe é oferecido com gana, empurra na cama os pulsos que clamam seu nome e morde, mas não apenas morde: morde para arrancar pedaço. Mas não arranca. Deixa a carne magoada gemendo de saudades de você, à sua disposição, guardando seu sabor, seu cheiro, seu gozo e vibrando de fúria e ânsia.

Por que você foge do que dança sob a sua pele, baby? Você é do mesmo material que é feito o pecado e não há nada de errado em dar ao diabrete que existe em seu âmago um momento ou dez mil momentos de satisfação intensa e olhos revirados.

Pega firme pelos cabelos, conta seus segredos mais feios ao pé do ouvido, aceita ser jogado no chão, no sofá, no balcão do bar, na mesa da cozinha ou no canto escuro de uma sessão vazia de cinema. Essa máquina para a qual você dá de comer e beber todos os dias precisa de muito mais do que só isso – e disso você também sabe. Empresta o corpo quando quiser, quando sentir, para quem quer que mereça tanto, então. Pega pelo cinto, se banha no suor de outrem, morre de amores no pós-coito e ri, deleitando-se pelo aroma que toma o quarto, faz pesar os lençóis e domina as suas entranhas.

Fode como sempre te disseram que você não deveria. Puxa, aperta, rasga, consome, devora, perdoa, ataca. Encontra todos os verbos que lhe torturam o baixo ventre e experimenta todo e cada um deles. A imaginação é deveras erótica, é verdade, mas só a prática é doce e amarga e tem gosto de gente.

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