Nessa semana, aproveitando a deixa de um 2016 tão inusitado, a youtuber Jout Jout anunciou o término de seu relacionamento com o Caio. O vídeo “2016 NÉ, MENINA?” foi postado em seu canal e é uma bonita peça de gratidão sobre o amor. Mas as reações, em geral, foram de extrema decepção. Sério? Por isso, precisamos conversar sobre o assunto.

O término não precisa ser uma guerra

Eu não quero deslegitimar a voz de ninguém aqui, mas em um Brasil de tanto fala a respeito de infidelidade, relacionamentos abusivos e rompimentos problemáticos, de repente presenciar alguém que diz exatamente o contrário é surpreendente. Principalmente porque nós somos uma geração Maria do Bairro que adora um drama com propensão ao choro largado. Mas de verdade? O término não precisa ser uma guerra. Aliás, é saudável que não seja. Requer muita maturidade para reconhecer o momento em que a relação já acabou, embora os dois ainda se amem e estejam juntos. E o que restou são apenas duas pessoas nadando desesperadamente contra a correnteza por conta do orgulho de admitirem que construíram tanta coisa juntos para, sim, continuarem o caminho separados. É aí que o amor deixa de ser laço e vira nó. E esse é o momento de permitir a partida, antes que se torne conflito.

Não encare o término como um fracasso

A vida é uma jornada na qual, eventualmente, caminharemos juntos. Nem sempre. E não necessariamente para sempre. E reconhecer isso, admitir que de vez em quando as pessoas têm prazo de validade não anula tudo que foi vivido e sentido a dois. Existe, sim, beleza na história de um casal que não foi feliz para sempre. Como eu disse nesse outro texto, o mais importante é o “enquanto somos” e não o “depois que fomos”. É o quanto aprendemos e crescemos enquanto estivemos juntos. O término não é sempre sinônimo de fracasso. Enquanto não entendermos isso, aceitar o fim será somente um dolorido luto, ao invés de uma grata contemplação. E pior: tentaremos matar o amor pelo outro que sobrou vivo na gente.

Não use o final como desculpa para ser babaca

Deixa eu te contar uma coisa: você não precisa ser babaca quando termina. É óbvio que provavelmente você terá uma porção de sentimentos claustrofóbicos e inusitados quando chegar a sua vez. Então, caso isso aconteça, repita: “eu não sou responsável pela felicidade de mais ninguém a não ser da minha. E eu não transformo o mundo num lugar melhor tentando acabar com a felicidade alheia”. Você não precisa fazer ninguém engolir à força as suas novas conquistas: respeite o processo de reestruturação do outro. Respeite para ser respeitado. E mais do que isso: respeite porque, sim, você deve isso a alguém que lhe fez casa de sentimentos bons por tanto tempo.

Se essa não é a sua história, tem algo errado aí

Não queria ditar regra no relacionamento alheio, mas como eu disse: nós somos uma geração Maria do Bairro. E isso tem acabado com a nossa maturidade emocional. Términos traumáticos são, em geral, reflexo de relacionamentos que, com o tempo, se transformaram em abusivos, desestruturados e asfixiantes. Ou que foram desde o começo assim – e nem sempre somos capazes de reconhecer tudo isso. Então, já sabe: se a sua história não é parecida com a da Jout Jout e do Caio, é por que tem alguma coisa bem errada aí. E de verdade? Outra pessoa vai chegar e será lindo, será forte e será frutífero. Tanto quanto foi. Tanto quanto pode ser. Levamos dessa vida só o que cultivamos: então, se permita reconhecer frutos bons e continuar a jornada em paz. Afinal, o término não precisa ser uma guerra.

Tá bem? Então, tá bem!