[Você pode ler este texto ao som de Shake It Off]

Costumo viajar meus pensamentos, sempre que volto pra casa a pé, muito bem acompanhado de uma playlist musical que me faz refletir sobre como foi o meu dia, os problemas resolvidos no trabalho e os que ficaram para amanhã. Pois bem, lá estava eu, murmurando uma música do Criolo com a Tulipa Ruiz, enquanto entrava no supermercado e fixava os olhos naquela montanha enorme de panetone. De cara, pensei: “Putz, já é Natal, de novo?” Não que isso fosse ruim, mas eu não havia cumprido metade das promessas que tinha feito ao senhor 2016 e, de quebra, ele tinha me dado várias rasteiras ao decorrer da sua curta jornada. Meu cérebro fez uma retrospectiva instantânea, me fazendo refletir sobre os 359 dias até ali vividos.

A coisa começou a descarrilar ainda em 2015. O prelúdio da tragédia me ocorreu, quando uma das minhas melhores amigas escorregou na varanda de casa na festa de Réveillon. Esse ano será uma bosta, matutei sozinho (e foi, foi com força). Logo nos primeiros dias, terminei um pseudo-relacionamento (eu disse dias, não meses), por motivos que não vêm ao caso. Um pouco antes do carnaval, tive problemas de saúde (fui ao médico 5 vezes em menos de 2 semanas), porém consegui pular a festa, acompanhado por litros de catuaba. Na sequência, volta às aulas. Ano de TCC, correria, noites em claro, treta com os colegas de grupo e companhia limitada, até aí eu vivi um roteiro digno de novela mexicana, mas ainda dava pra piorar (piorou). Me apaixonei loucamente por uma pessoa com a vida tão desgraçada quanto a minha, nos desencontramos em meio aos nossos motivos e perdemos um ao outro em seguida. Chorei, escrevi uma caralhada de textos, me senti um verdadeiro palhaço de circo. Sequei as lágrimas e voltei para a rotina. O show precisava continuar.

Férias de inverno, a essa altura do campeonato eu já andava enjoado, sentado no banco de reserva da agência onde trabalho (quase fui demitido). Desmotivado, já não me importava mais se o mundo acabaria amanhã ou na quarta-feira da semana que vem, depois que o VR caísse na conta. Eu já estava no chão, já tinha comido o pão que o diabo amassou, bem pra lá da puta que pariu, como diz o ditado. Dei um jeito de me reerguer, sacudir os farelos de tédio e, novamente, coloquei as mãos na massa. 2ª semestre bombando, e o trabalho de conclusão de curso chegava aos finalmente (agora vai). Fui expulso de casa (como assim?), foi uma das piores sensações da vida (só quem passa por isso sabe). Moro em São Paulo, longe dos meus pais e estava hospedado na residência de uma tia, que justificou a saída por motivos de desorganização. Me senti mal, sem chão, (pouco tempo depois, descobri que, na verdade, ela só queria trazer o ex-marido de volta, junto com o filho dele) sorte que eu tenho outros familiares na cidade, que me amam muito e me acolheram.

No final das contas, tudo se encaixou de alguma maneira. Terminei a graduação com sucesso, consegui ir ao Rio Grande do Sul rever meus amigos e me apaixonei de novo, dessa vez, sem incompatibilidade de vontades. Sobrevivi, respirei aliviado por ter passado por tantas manobras incertas, porém a dieta (foda-se a dieta agora) ficou pro ano que vem.

2016 foi horrível e muito difícil, porque tive que expor todas as minhas fraquezas e juntá-las, uma a uma, para me fazer mais firme. Dobrei os joelhos, mas não quebrei nenhum osso do meu corpo e, apesar de tantas tragédias (na vida, no Brasil e no mundo), foi incrível sobreviver a essa experiência única que me fez um pouco mais homem sem perder a essência de guri. Se as consequências me fizeram pagar o preço da fraqueza, o destino, por sua vez, me fez forte. Poucas coisas irão me assustar daqui pra frente, e 2017 não é uma delas.