Vai tempo, voa sim, diz pro futuro que eu vou chegar e que dessa vez chegarei é pra arrasar. Essa fase vai passar, as coisas as pessoas e os lugares também vão mudar e eu vou poder abraçar uma nova versão de mim mesma que me dê a sensação de dever cumprido, de ter amadurecido um pouco e de ter muito mais para amadurecer também.

Tempo, diz pra mim quantas vezes você demorou tanto para passar que eu acabei metendo os pés pelas mãos, o pé na porta fechada e dando voadoras de nas pessoas que passaram pela minha vida deixando rastros de dificuldades e muitas mágoas. Se eu soubesse como o senhor, tempo é tão poderoso, eu teria esperado mais.

O cabelo aumenta ou diminui, as rugas chegam, as feições mudam e os sentimentos também mudam consideravelmente. Acontece que de um ano pra cá eu sou outra. De dois anos pra cá então… nem me lembro bem dos meus ideais de mil novecentos e guaraná de rolha.

As tarefas inacabadas, o que foi deixado de lado, os esquecimentos… tudo isso leva tempo para acontecer e para deixar de ser. Tempo, você me ensinou que é preciso paciência para admirá-lo, para olhar para trás sem maiores apertos no peito e sem olhar para o futuro com a ansiedade gritando e anunciando um possível surto.

Com uma oração ao tempo, percebi que é ele quem vai determinar onde chegarei, mas depende de mim alcançá-lo. Para isso é preciso trabalhar todas as habilidades possíveis, é preciso a doçura e firmeza necessárias para que não passem por cima da gente.

O tempo molda tudo: os continentes, as formações rochosas, as espécies que habitam o mundo, as roupas, as músicas… o tempo molda o que nós fomos, somos e seremos. É ele quem diz se o que virá será sucesso, fracasso, decepção, alegria, tristeza. É o tempo que nos dá a vida para que um dia a gente possa morrer também.

Porque a linha final do nosso tempo também chega. E é aí que tá a beleza do tempo: até o nosso tempo tem fim.