Uma das frases que mais me marcou na história da literatura e do cinema é uma das tantas que Supertramp solta em Into the wild: o importante na vida não é necessariamente ser forte, mas se sentir forte. E do tanto que eu gosto dessa afirmação e ela faz sentido pra mim, trato logo de colocar ela em diversos campos da minha vida para refletir sobre cada um deles.

Perdemos um turbilhão de oportunidades dia após dia por não nos julgarmos suficientes para entrar de cabeça em determinada coisa. Deixamos empregos ótimos escaparem porque certamente existe alguém melhor que a gente para ocupar o cargo. Vemos pessoas incríveis indo embora de nossas vidas porque são demais para a gente. Deixamos de viajar sem rumo no fim de semana porque vai atrasar uma pilha de trabalhos e porque aproveitar a vida é pecado. Mas por quê?

De vez em quando não somos alguém aptos a fazer todo tipo de coisa, eu sei, mas se carregarmos uma vontade particular que berre pra gente que pode dar certo, talvez consigamos tirar alguma coisa positiva no fim de tudo. Talvez não sejamos aptos exatamente por nunca ter tentado. Falta de coragem para alguns, comodismo demais para outros – dizem. Um pouco dos dois para mim. Até agora.

Eu quero poder correr sem olhar pra frente e bater com a cara no murro se não tiver feito certo. Quero baixar a guarda e deixar a cara à tapa, e o mundo que trate de bater nela se achar que eu mereço. Quero carregar a ilusão de que ganhei o universo e perder ele inteirinho duas semanas depois em um all-in que parecia certeiro demais para dar errado. Quero destruir esse muro protetor que eu construí com tanto esmero ao redor de mim mesmo para enxergar um mundo inteiro do lado de fora.

Ter tudo sobre controle é mais cômodo e mais seguro, eu sei. Mas ser e ter somente aquilo o que eu consigo carregar na palma das mãos parece pouco demais para mim. O mundo é enorme e a vida é curta demais para que deixemos nossos medos nos vencer por julgarmos não sermos capazes.

Que eu perca o emprego dos sonhos se tiver alguém melhor que eu, mas que eu não durma sem ter tentado. Que eu passe a madrugada passando frio em uma solidão que me diga que eu nunca vou encontrar ninguém ou deveria ter ido com um pouco mais de calma, mas que as pessoas saibam o que sinto por elas. Que eu aproveite as férias no início do ano porque essa oportunidade talvez não brote na semana que vem. Que o mundo inteiro desabe na frente dos meus olhos e eu beba dois porres no fim de semana para ver o mundo inteiro se reconstruir aos poucos na segunda-feira de manhã. Que eu não deixe de ser feliz por medo como já fiz outras vezes.

Talvez Supertramp esteja certo e você concorde comigo e com a máxima do início deste texto. Para mim, no entanto, esse ‘talvez’ não serve mais. Eu vou é correr o mundo sem medo nenhum para ver se eu descubro se era isso mesmo.