Eu não sou mais uma adolescente que tem tempo para brincar com a vida. Se você veio para perto querendo um jogo, uma aventura, umas entrelinhas, sinto muito, mas aqui não vai ter vez. Eu não tenho mais tempo para desperdiçar criando estereótipos de vida. E, tampouco, para desperdiçar vida. Tô vivendo e abraçando tudo o que tenho vontade de viver e abraçar e, honestamente, não me culpo por isso. Levei uma era e meia para conseguir me desvencilhar dos padrões e regras, e continuo tentando não me importar com os olhares alheios. Eu só preciso estar bem comigo mesma, e, na moral, ultimamente eu tô bem pra caralho.

Então não vou medir palavras para você, nem dizer meias verdades. Eu posso corar ao dizer que te quero; posso me esconder — tímida — ao confessar um desejo e te narrar alguma fantasia nada infantil; posso sorrir te contando da minha saudade, mas não vou guardar isso dentro de mim. Nem as palavras, nem as vontades, nem o sentir. Estou me permitindo todos os dias, me deixando ser a melhor versão de mim.

Dá uma felicidade louca, sabe? Encarar no espelho e dizer _tá de parabéns, não passou vontade hoje_. Eu consigo deitar a cabeça no travesseiro e sorrir, porque eu não tenho uma palavrinha sequer — desse não-jogo — sufocando, entalada na garganta. Só tem saudade, porque algumas saudades não são nada fáceis de matar. Eu até poderia ignorar e fingir que ela não tá ali cutucando o coração, mas confesso (porque agora sou de confessar), que rego as saudades com frequência. E rego porque quero. Simples assim.

Mas…posso confessar? Você não faz ideia do tanto de medo que eu guardo aqui dentro. Todas as vezes que você aparece, que seja numa entrelinha, eu engulo meus anseios e me solto, um pouco mais cada dia, porque quero me liberar das amarras da timidez e ser inteira, estar inteira e me fazer presente – sem me esconder em meias palavras ou palavra alguma.

Eu faço isso porque não temos tempo para depois. Eu parei com os jogos, porque é a melhor escolha para mim. Eu sou inteira, porque você merece que seja assim. Não é tanto por mim que me jogo nessa aventura de ser eu mesma, não é tanto por mim que confesso o sentir e as saudades. É pela gente. É pelo nosso ‘nós’ que virou laço.