[Você pode ler este texto ao som de Closer]

Eu sou rei quando o assunto é planejar e postergar eventos, compromissos, almoços ou coisas do tipo. Simplesmente não consigo colocar uma coisa em cima da outra ou desmarcar algo importante para fazer coisas que tenham surgido na hora, mas definitivamente sei aproveitar os bons momentos que surgem do nada.

Se você reparar bem, as maiores aventuras – sejam elas sexuais, afetivas ou histórias que você teve com amigos – surgiram de encontros repentinos, propostas não planejadas, convites aceitos quando você nem tinha roupa para eles, amores que puxaram seu braço no meio do Mercadão de Madureira enquanto você comprava fantasias para o Carnaval. São coisas e pessoas que conseguem se livrar das agendas e enfiar amores, amigos e lugares no meio da vida como se não precisasse de permissão para ser feliz.

E, na verdade, a gente não precisa mesmo. O que nós precisamos é um pouco mais de impulsividade – e nessas horas eu agradeço muito por ter um ascendente em Áries. Precisamos deixar de ponderar tanto algumas coisas e topar, dizer sim, olhar para novas oportunidades com bons olhos. De vez em sempre, nós perdemos a chance de ir a um jantar bacana porque não estávamos apropriadamente vestidos. Deixamos de pegar a última sessão do cinema porque achamos melhor ir para cada dormir. Deixamos de viajar porque talvez o tempo feche e a gente fique dentro de uma casa sem ter muito o que fazer, sem nem imaginar que a companhia é o que importa. Deixamos de fazer um monte de coisas porque pensamos demais.

Planejar é incrível, mas nada acontece sem execução. Pensar demais configura um problema severo para pessoas que acabam desenvolvendo ansiedade e outras dificuldades psicológicas na vida que a atrasam em vez de fazer com que ela aconteça. Por incrível que pareça, aquele velho clichê de que a felicidade reside nos momentos em que não nos planejamos é bem verdadeira e pode ter uma razão bem simples: a surpresa e a falta de expectativa com o que pode vir a acontecer. Se você não pensa sobre, você não sabe o que esperar, você só vai. E se joga. E vive de uma maneira que talvez nem lembrasse que é possível de viver.

Eu tenho tentado inserir esses momentos na minha vida, principalmente nos meus relacionamentos. Chega de postergar pessoas por receio de perder uma aula na academia. Chega de não aceitar convites porque a pessoa te mandou ficar pronto em uma hora e você nem sabe pra onde vai, acha que não tem roupa, acha que o tempo tá fechado demais. Chega de encontrar desculpas para coisas que não oferecem resistência. Chega de negar amores só porque eles acontecem no momento em que você planejava não ficar com ninguém. O mundo precisa de mais gente que tope o inesperado. Que diga “vamos” quando alguém perguntar “vamos?”. Vamos nessa.

(Clique aqui para me seguir no Instagram)


Meu livro novo Depois do Fim acabou de sair nas livrarias. Ele fala sobre a nossa vida depois de perder um grande amor rumo à superação dele. Se você gostou desse texto, eu tô deixando três opções com desconto pra você comprar pela internet.

Só clicar: SaraivaCulturaAmazon

Aproveita e já se inscreve no meu canal do Youtube porque tem muita coisa legal por lá!