Ele acordou e não tinha nenhuma mensagem dela no celular.

Levantou, botou o café para passar, fez a barba e tomou banho quente. Tomou o café enquanto ouvia um podcast sobre cinema, bateu a porta, voltou para pegar o casaco que tinha esquecido e saiu para o trabalho.

Ainda não tinha nenhuma mensagem dela no celular.

Trabalhou, bateu meta, almoçou, tomou o café doce demais que fazem no trabalho e escovou os dentes. Foi para a reunião, voltou da reunião, pensou em mandar uma mensagem para ela falando que ouviu no podcast que o filme novo com aquela atriz que ela gosta em cartaz.

Só que, outra vez, ainda não tinha nenhuma mensagem dela no celular.

Resolveu sair duas estações antes da sua porque andar ajuda a tirar as preocupações da cabeça. Andou, se preocupou, pensou nela e pensou que ela não pensava mais nele. Passou por uma igreja, viu a noiva entrando bem na hora e pensou que o desapego é uma droga. Chegou em casa, quis ligar para ela e odiou que as pessoas não se liguem mais. Tomou outro banho – dessa vez gelado -, chegou a botar a janta, mas não comeu porque nunca sente fome em dias assim. Foi deitar duas horas mais cedo do que o habitual, se cobriu com as saudades que tinha dela, mas continuou com frio. Virou pro lado para tentar dormir e torceu para sonhar com ela.

Ele acordou e não tinha nenhuma mensagem dela no celular.

Levantou, botou o café para passar, fez a barba e tomou banho quente. Saiu de casa e entendeu que era isso, cara, ela já foi e não vai mais voltar. E nunca mais iria ter mensagem alguma dela no celular.