[Você pode ler este texto ao som de Feito pra Acabar]

A última vez que eu tento me desculpar pelo nosso timing estragado, pelo nosso destino falho, por mais que não seja culpa minha. A última vez que eu tento dizer que você é importante, mas que a gente não se encaixa mais.

A verdade é que eu passei tanto tempo esperando alguma coisa… Uma resposta, um e-mail, um convite, uma foto. Um desenho, um texto, um toque na campainha, ou no celular; uma mensagem de whatsapp, um bilhete num guardanapo que fosse, qualquer coisa que dissesse que você se lembrava de mim.

Qualquer coisa que dissesse que você voltaria, que você (ainda) me amaria, que você iria me querer, que você sentia saudade. Queria saber que você nos via no futuro, queria saber tudo, mesmo que esse tudo ainda estivesse envolvido em rancor e mágoa.

Eu queria qualquer coisa além do sumiço, eu queria algo que me fizesse acreditar que eu não estava esperando por você em vão, que eu não havia me doado em vão. Algo que me fizesse acreditar que eu não tinha acreditado a toa, me apaixonado a toa, chorado por um fantasma.

Eu queria antes qualquer coisa que me assegurasse que dessa vez vai ser diferente, que eu devo me doar de novo para você, que meu mundo pode de novo ser fechado com você aqui dentro, porque você não vai fugir de novo, ou mentir, ou me magoar… Ou sair pela porta que eu nem abri, às três da manhã, quando eu só preciso ser abraçado.

Mas o timing é aquela pedra no sapato da gente que parece destinado a não deixar a gente ser feliz, porque toda vez que eu penso em ir até você, algo me puxa pra trás e te leva pra longe, como se não fosse certo, não devesse ser, e não vai ser.

Mesmo assim, eu consigo lembrar do seu sorriso enquanto o sol passava entre as árvores e iluminava seu rosto. Você nunca esquivava. Você sempre me olhava e sorria, baixava a cabeça e cerrava um dos olhos enquanto levantava a outra sobrancelha e piscava pra mim. Você me trazia paz e acalento.

E por mais que eu não consiga imaginar esse sorriso indo embora do seu rosto por minha causa, eu consigo imaginar você chutando uma porta e entrando por um quarto vazio. Porque eu esperei tempo demais, e alguém chegou e me convidou para um cinema. E eu esperei por você.

Mas você não veio.

E eu fui.