Duvivier encheu de esperança os coraçõezinhos desavisados – incluindo o meu, que suspirou bobinho naquelas palavras bonitinhas, pouco se importando com o marketing. Se formos analisar friamente, o amor sempre um jeito de vender alguma coisa. Começou com as princesas da Disney, continuou com os livros e com os filmes. E vende, sabe por quê? Porque todo mundo quer ter viver um amor desses, que vire música, que vire filme, que nos faça tirar os pés do chão.

Mas acaba. E aqui eu dou uma pausa e lhe faço uma pergunta: o que acaba? O amor ou o relacionamento?

Daniel Bovolento narra em seu livro, Depois do Fim, o que fica para depois do relacionamento e, te garanto, o amor sempre fica por um tempo. Sei lá, eu tenho uma teoria um pouco torta em relação ao amor. As pessoas se amam por um determinado período. Vinte e tantos anos, como Willian Bonner e Fátima Bê. Onze anos, como Brad e Jolie. Aí vem as manchetes e tabloides anunciando fim de relacionamentos que a gente julgava ser para sempre e começam a chuva eterna de mimimis dizendo que, se acabou, não era amor.

Onde foi que ensinaram que, para ser amor, precisa ser para sempre?

Ninguém ama, se muda, casa, tem filhos pensando no fim. Todo relacionamento começa com uma promessa infinita e eterna. A gente troca votos pensando ser para sempre e, honestamente?, a gente vive como se fosse durar — talvez esse seja um dos maiores problemas, porque o serumaninho tem tendência a se acomodar. O amor não sobrevive em meio ao comodismo. O amor não é uma zona de conforto, mas isso é assunto para outro texto.

A gente precisa falar sobre o amor. Precisamos parar de idealizar esses felizes para sempre como se, para ser amor – amor de verdade – devesse carregar uma bagagem de anos e anos até que a morte os separe. Cá entre nós, isso só funciona nos contos de fada, porque a gente não sabe o que veio depois do “felizes para sempre”. Talvez a Branca de Neve e o príncipe tenham vivido felizes para sempre porque, no meio do caminho, se separaram. O príncipe foi atrás de outras princesas e acabou casando com aquela que salvou, do alto de uma torre. E a Branca de Neve viveu a vida inteira ao lado do Zangado, que, depois do amor, acabou se tornando dengoso e feliz. A gente não sabe o que vem Depois do Fim. A gente não sabe a história que fica para depois dos créditos. E isso não desqualifica o sentimento.

Era amor. Aí, por um acaso, deixou de ser. Ou talvez, justamente por existir uma separação, continue existindo amor. O amor morre em meio às mágoas, cicatrizes e descasos. Marcelo Camelo cantou em Adeus Você “vê se te alimenta e não pense que fui por não te amar”. Tem gente que vai, para preservar o que foi.

Não desmereça o sentimento. Não rotule dizendo que não era, porque deixou de ser. Como no soneto de Vinícius de Moraes: que seja infinito enquanto dure.

E durou. Fim.