[Você pode ler este texto ao som de Hoje Ela Só Quer Paz]

Não adianta disparar meias verdades porque ela vive de inteiros. Nem adianta pagar de bom moço para destoar da corja de caras que correm atrás dela, pois ela sabe bem que caráter não precisa ser engradecido pelo simples fato de que deveria ser natural. Sabe de cada pequeno detalhe que deveria saber quando pisa em um terreno completamente novo e percebe que se apaixonou: ainda não consegue decifrar os enigmas nem sabe quanto tempo tudo vai durar, mas solta logo toda uma vida em cima da possibilidade de ser feliz, como deve ser.

Ela é uma daquelas moças que vira a gente do avesso com um olhar. E nem adianta tentar entender como as retinas mudam de azul para verde no contato com o sol, nem adiantar tentar catalogar os sorrisos largos e as covas nas bochechas, é só uma perda de tempo desnecessária enquanto você deveria mesmo é sentir como o mundo fica mais bonito ao lado dela. Bate aquela sensação de que coisa nenhuma importa da porta pra fora se não os sonhos dela. Bate uma vontade gigante de correr atrás deles como se fossem seus, e no fundo são também: felicidade deveria ser o sonho de todo mundo que viveu o caos pelo menos uma vez na vida. E a gente vive ele o tempo inteiro.

Ela faz brotar dentro da gente aquela esperança inocente em meio a guerra, como se fôssemos só um menino soltando pipa e acreditando que o céu azul é suficiente para deixar a gente um pouco mais feliz e trazer paz. E é incrível a maneira com que ela consegue, ao mesmo tempo, fazer a gente armar trincheiras e preparar o armamento pra lutar. Pode ser difícil, o mundo pode bater pra caramba na gente lá fora, mas sobe pela garganta uma certeza absoluta de que a gente não poderia fazer nada diferente disso pra se sentir um pouco mais feliz.

No entanto, não se prenda na certeza de que o olhar manso e o jeito meigo trará a sorte de uma vida calma. Ela odeia calmaria, tem um pavor imenso de ver a rotina devorar uma felicidade não mais ardente. Então, sugiro que inove em todas as vezes que conseguir ao lado dela. Nem precisa ser coisa demais, ela nunca se prendeu a valores materiais que podem arrancar da gente os valores que realmente importam, e você terá certeza que acertou quando ver um sorriso brotar de súbito naquele rosto manso que, eu juro, dá vontade de perder uma vida inteira encarando quando fica sem jeito.

Ela odeia tabus e não tem medo de falar e experimentar nada, seja no sexo ou nas aventuras que resolver encarar de peito aberto. Enxerga em cada pequena possibilidade uma nova chance de ser feliz e resolve botar as coisas todas pra fora de uma só vez em um choro soluçado antes de dormir. Não esqueça de oferecer o ombro nessas horas, nem de se oferecer pra ela em toda vez que sentir que deve. A recompensa, depois, pode surpreender você de uma maneira que nunca chegou imaginar.

Ela é brisa de verão e é brasa, um livro inteiro que mistura ação e comédia romântica com final feliz – se ela quiser. Faz a pele da gente arder inteira em uma adrenalina que fica difícil controlar e perder o apreço depois de um tempo. Faz a gente imaginar e colocar em prática umas loucuras que nunca imaginamos nos envolver. Mas, se ela quiser, vale a pena. Caso contrário, melhor aplicar uma perda de memória no coração: ela sabe de cara quando quer você e não vai fazer joguinhos que te coloquem em dúvida por puro capricho.

Ela é um mundo inteiro, cara, e vai ser difícil cair no seu sem se lembrar dela.