Esquadrão Suicida era um dos meus filmes mais esperados do ano (senão o mais). Todo o universo de alguns dos personagens ali inclusos me interessava muito por conta de uma infância em que quadrinhos foram peças fundamentais para meu entretenimento.

Sendo bem sincero: eu não conheço todas as histórias enquadradas no filme a fundo. Conheço alguns personagens-chave, o universo geral e o contexto do filme, mas faz muito tempo que não acompanho quadrinhos e não me lembro de bastante coisa. Ainda assim, tremi feito criança para assistir ao Esquadrão Suicida em ação.

O filme conta a história dos vilões presos que são convocados a integrar uma força-tarefa especial: combater um suposto ataque terrorista depois da “morte” do Superman – fica o spoiler pra quem não viu Batman Vs. Superman ainda. Como bons vilões que são, eles não têm muita escapatória a não ser aceitar o desafio e colocar suas habilidade para jogo.

O Esquadrão é recrutado pela brilhante e, talvez, mais complexa personagem do filme Amanda Waller. Viola Davis aparece brilhantemente com sua atuação e segura bastante certas pontas dramáticas do longa. Pra quem gosta de How To Get Away With Murder, fica fácil achar que a personagem é a Sra. Keating já que ambas possuem certa frieza estratégica como característica crucial. No comando do Esquadrão, ela reúne o Pistoleiro, Arlequina, Crocodilo, Capitão Bumerangue, El Diablo, Amarra e a poderosa Magia junto com o Rick Flag, que é o líder da força-tarefa. Junta-se a eles Katana, uma poderosa lutadora oriental.

[Possíveis spoilers a seguir]

Eu tava com medo do filme cair todo em cima da Margot Robbie como Harley Quinn e da expectativa de Jared Leto como Coringa. Felizmente, Viola e Will Smith seguram muito bem as pontas da atuação, distribuindo o peso entre as personagens. Aqui vale uma ressalva: eu esperava muito mais do Coringa do Jared Leto. É um Joker completamente diferente do que já vimos nos cinemas, algo mais gângster do que louco psicótico. Não é ruim, mas é diferente. Demorei a me adaptar à ideia.

Margot Robbie detona como Harley Quinn (Arlequina). O filme pesa bem o lado pessoal da loucura da Dra. e sua paixão pelo Coringa, mostrando como a vida dela é presa à relação doentia entre os dois. Ainda que ela não tenha poderes ou habilidades muito especiais, ela é a personagem que mais chama atenção durante as cenas de ação e comédia do longa.

Já Cara DelaVigne interpreta Magia. Depois de Cidades de Papel e sua atuação miserável, achei que seria uma péssima escolha pra personagem. Ela não é de todo mal, mas com o desenvolvimento do filme, você percebe que ela é a grande vilã do volume. Para isso, achei que poderiam ter chamado uma atriz mais experiente para dar vida à dramática Magia.

Existem muitos furos no roteiro. Por que Magia só descobre o irmão perdido no momento em que descobre, a necessidade do coração dela e de sua sobrevivência, o motivo pelo qual não usa seus poderes para acabar com o Esquadrão. E também há furos nas histórias dos personagens do Esquadrão. Como bons vilões, eles não deveriam pensar duas vezes antes de salvar sua própria pele. São caras maus (em sua maioria) e essa humanização exagerada deles faz com que se tornem mocinhos temporários, deixando que seus conflitos sensibilizem o espectador.

As cenas de ação são boas, mas achei que os efeitos especiais poderiam ter sido melhores. No final do longa, a caracterização de Magia dá uma caída brusca e você percebe que não fizeram direito. A trilha sonora, por outro lado, é incrível.

Temos a aparição de Batman e Flash no filme. Batman aparece também numa cena pós-créditos que dá sentido a uma sequência do longa (e a outros filmes do Batman).

A minha impressão geral é que tinham material muito melhor para transformar Esquadrão Suicida num filme incrível de ação e complexos dramáticos. Os personagens poderiam ter sido explorados de uma forma mais profunda, mas entendo que eram muitas histórias com mil referências para colocarem tudo num filme de 2:30 h. Não sei o que fizeram nos cortes e na pós-produção, mas parece que tentaram suavizar o longa transformando-o em mais um filme morno de super heróis. Vale o entretenimento, vale a paixão pelos personagens e vilões, vale a caracterização e a nostalgia do universo dos quadrinhos. Eu, que não sou expert no assunto, fiquei um pouco frustrado. Então acredito que os geeks de plantão ficarão bastante decepcionados. Por outro lado, quem não vai ao cinema com tanta expectativa pode usufruir de um filme divertido, relativamente leve e com bons momentos de lutas, explosões e super poderes.

Vá ao cinema e tire suas conclusões. Nada melhor que você mesmo para avaliar um filme que viu. 😉

Nota: 7/10