Primeiro foi vermelho. Como uma caneta que corrige algo errado. A negação e a certeza de que aquilo não podia continuar. Tudo tinha sido um erro e que seria cometido uma única vez, por eu ter bebido, claro. Não, não continuaria. E talvez eu nem tenha gostado tanto assim. A euforia, a animação e o coração em descompasso certamente eram só reflexo da novidade. Sim, só pode ser isso.

Então, foi amarelo. Como o medo. A apreensão, as sucessivas tentativas e encontros frustrados com outros homens onde não havia mais graça ou desejo como antes. O pior era a impressão que ficava em mim de que, na verdade, nunca ter havido. Passei a pensar mas nela, no início apenas antes de dormir. Depois ao acordar também, e conforme passavam os dias eu não conseguia mais passar só um momento sem imaginar novamente os lábios dela nos meus, as mão dela nos meus seios e as minhas em sua nuca.

Depois, foi verde. Como os olhos dela. Que me olhavam com desejo e carinho ao mesmo tempo, de um modo que eu nunca tinha sido vista antes e ao mesmo tempo, como eu sempre sonhei ser vista. A confirmação de que o mundo era maior do que a caixa que tinham me apresentado e de que o amor pode ter formas diferentes e mais curvas do que eu esperava. Eu me permiti e me descobri, sendo completa pela primeira vez, não somente por te-la ao meu lado, mas por ter me encontrado, finalmente.

E por fim, foi azul. A cor mais quente.