[Você pode ler esse texto ao som de See You Again]

A última vez que eu te vi indo, eu pensei: volta. Acho que é a primeira coisa que a gente pensa quando quem a gente ama vai embora. Talvez porque se afastar de alguém dê uma sensação doída de que a gente tá perdendo alguma coisa. Mesmo quando não tá.

Volta que a gente vai naquele seu bar preferido toda sexta, eu penso. Volta que a gente passa uma semana lá na casa da sua vó na fazenda. Volta pra gente planejar nossa próxima viagem pro Rio. Volta. Volta logo, volta já.

Mas hoje, com um pouco mais de calma e a saudade controlada, eu queria te dizer isso: se não quiser, não volta, não. Cê não precisa, o mundo é seu. Não é fácil ver quem a gente ama voar, não vou mentir, mas às vezes é o que a gente precisa fazer. Por isso, voa. Voa que nada de tão importante vai acabar só porque você tá indo.

A gente dá um jeito, a gente sempre dá. Tem telefone, skype, whatsapp, facebook, sinal de fumaça. Eu ligo, eu escrevo e acordo de madruga pra falar com você se precisar. Então vai. Vai tranquila, eu fico aqui. A gente se vê um dia em Paris, Nova York ou Berlim. Ou a gente marca um encontro em Sydney, quando você estiver voltando de Auckland e eu indo pra Bali. O mundo é grande, mas a gente faz dele pequeno, não tem problema.

Então não volta. Ou volta, se quiser. Eu só quero que você saiba, agora que você tá indo, que eu vou continuar perto, mesmo de longe. Que eu tô aqui pra você. E vou estar – de qualquer lugar.