E fomos abençoados como um novo disco da rainha Beyoncé. Como era de se esperar, uma obra prima foi jogada na nossa cara toda de uma vez. Seguindo a linha do single “Formation”, Lemonade é repleto de mensagens políticas, empoderamento e homenagens às raizes da cantora. Isso já é o suficiente para todo o feedback positivo que o disco recebeu, mas estamos falando de Beyoncé e ela foi além, transformando o disco em um acontecimento e fazendo a gente agradecer (por ter a oportunidade de estar vivendo na mesma época que ela) e poder passar os dias seguintes desvendando alguns aspectos:

As participações

Temos o já citado Jack White quebrando tudo na faixa “Don’t Hurt Yourself”, o The Weeknd na sensual faixa “6 Inch”, o produtor James Blake em “Forward” e outro artista que toca bastante nas feridas da desigualdade racial, Kendrick Lamar na incrível “Freedom” (que no seu acompanhamento visual tem a modelo Winnie Harlow).

Temos referências, samples, composições e uso de letras de bandas como Yeah Yeah Yeahs, Led Zepellin, Animal Collective, Father John Misty e Ezra Koenig do Vampire Weekend.

Além disso, no filme que completa o álbum, há aparições de artistas como Serena Williams, as duplas musicais Ibeyi e Chloe x Halle (que valem uma ouvida), e uma homenagem ao movimento Black Lives Matter com as mães de jovens negros assassinados por policiais.

Estilos que nunca foram explorados antes

Alguém já imaginou uma Beyoncé raivosa gritando por cima de umas guitarras distorcidas tocadas pelo Jack White? Cantando um reggae suavão? Usando samples de Led Zepellin? Ou com uma violinha acústica? Tudo isso é encontrado aqui. Isso é um verdadeiro amadurecimento como artista. Um encontro do blues, do r&b, do trap, do rock, do gospel, etc. Sonoridades novas, diferentes e inesperadas que ainda assim tem a cara dela do início ao fim.

Ela se reinventou, mais uma vez

Imagine na era das informações em alta velocidade esse disco estar sendo produzido, o filme sendo gravado, mais de 300 pessoas envolvidas e nenhum vazamento acontecer. Bey esteve envolvida em toda a produção do início ao fim. E esse trabalho todo é uma confissão, um grito de raiva, uma exposição de seu lado mais intimo, onde vemos que mesmo do alto do seu posto de uma quase deusa na música, ela ainda ama, sofre e sente. É nisso que devemos pensar antes de julgar apenas a quantidade de músicas boas pra pista.

No último trabalho, nossa Queen B deu um reboot em sua carreira, digamos assim. Lançar um disco auto-intitulado como o quinto da sua carreira não foi a toa. Foi um recomeço onde ela alcançou um patamar acima dos artistas pop e ligou o foda-se para criar hits e alcançar topos dos charts, chegando nos topos dessas listas por outras razões que não o simples fato de uma música ter uma coreografia icônica ou um refrão chiclete.

Aqui a gente não precisa de bateção de cabelo e danças bem marcadas, temos outros cinco discos pra isso.