Que me desculpem os silenciosos, mas gemer no sexo é essencial


“Uma falta de educação”. Foi a definição de um amigo para pessoas que não gemem. Concordei. Não gosto mesmo de nada silencioso. Costumava comparar o sexo a uma dança: tem que ter sintonia, ritmo, som, cheiro, suor.

Acho que não só pra mim, mas, pra maioria das pessoas, aquele sexo dos filmes de Hollywood não dá tesão nenhum. Quando vejo aquilo é como se ouvisse Beethoven. Não que a música seja ruim,  mas é que me dá sono. E sexo e sono, pra mim, só combinam se vêm um depois do outro.

Sei lá, acho que andam romantizando demais as coisas. O sexo é sujo, gente! Não tem como fugir disso. Eu nunca senti vontade de sexo depois de passear num bosque florido, de mãos dadas com um príncipe encantado, carregando uma cesta de frutas vermelhas, a caminho do vale nevado, com um vestido rodado e um laço de fita na cabeça, um estalinho sincero e um eu te amo saído do fundo do coração (Se alguém já passou por essa experiência, favor me adicionar no Facebook). Eu sinto vontade de sexo depois de um amasso bem dado, com direito a beijo no pescoço, uma mão segurando na nuca e a outra passeando por onde achar que deve. E ISSO NÃO É ROMÂNTICO. Pode até ser que tenha amor. Pode ser também que ele surja depois disso, nada impede. Mas nenhum sexo que termine em algo diferente dos lençóis embolados, nós dois jogados em qualquer canto da casa e eu sem fazer a menor ideia de onde foi parar minha calcinha presta pra mim.

É que eu não vejo tanta graça no orgasmo quanto vejo nos caminhos que me levam até ele. Gosto de sentir a presença, o beijo que vai ficando desencontrado, o cheiro de corpo e de pele, o molhado da saliva, a contração de todos os músculos, a respiração ofegante e uns gritinhos que não se consegue controlar.

Mas eu entendo. Eu entendo que a gente se acostumou a pensar que isso tudo é proibido. Já ouvi caso de gente que se apavorou quando ouviu umas bobagens no pé do ouvido ou recebeu uma proposta (inusitada!) de fugir do “papai e mamãe” (e que curioso o nome desta posição, não é mesmo ?).

Mas aí, nos contos de fada da vida real, um dia a gente acaba descobrindo que as coisas não são bem assim. E que bom mesmo é o sexo feito com liberdade: de expressão, de sensação. Com o tempo a gente percebe que no início de todo grande evento sempre tem uma valsa. Mas a melhor parte da festa é quando toca o funk e todo mundo desce até o chão.

 

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