E agora, o carnaval acabou.

A vida tem que seguir. Quem você beijou, vai seguir. Quem você não beijou, vai seguir também. Se você esperou, passou. Se você se escondeu, já se foi. Agora, o carnaval acabou e o que aconteceu nele, também. Os blocos passaram, as paixonites passaram, a bebedeira passou. Talvez você ainda esteja com um pouco de ressaca, mas não se preocupe: passa também.

O carnaval é assim: passageiro. É efêmero. Foi feito para passar: barulhento, lotado, escandaloso, fantasioso, alegre. Mas o amor não foi feito desse jeito. O amor é o contrário do carnaval.

Ele é paciente, demorado. Calmo, lento, tranquilo. Muitas vezes, demora a passar. E vem sem alarde, vem devagar. Tem que se ficar atento: não vem embalado em multidões, ou dentro de latinhas de cerveja. Essas são amassáveis. O amor não.

Agora levanta da cama, desliga a TV, vá lavar o rosto. Penteie o cabelo e espere a vida. Ela vai seguir.

Com sorte, em algum momento, o amor chega. Sem ser premeditado, ele vem. Guarde alguns confetes. Não precisa de fantasias, mas prepare a casa. Quando o amor chegar, ele precisará de espaço. Não precisa de avenida, nem de trio. Pode ser um espaço pequeno em você. Mas com ele vem a graça, e a partir daí, carnaval nenhum vai ser páreo. A felicidade vai desfilar em você, as borboletas no estômago. O sorriso é o carro alegórico preferido do desfile, vem na frente, trás a bateria no peito.

E o melhor de tudo: não acaba na quarta-feira de cinzas. Com sorte, dura mais. Marca mais. Fica por mais feriados, mais dias comuns.