Você já parou pra pensar em quantas regras autorais nós nos colocamos? Quando digo que são autorais, digo que são bloqueios criados por nós mesmos para que as coisas não nos fujam ao controle. Você determina exatamente o que pode e o que não pode fazer, e acredita tão fortemente em cada uma dessas considerações que elas se tornam regras, amarras, correntes apertadas no seu punho.

Percebo isso em alguns setores da minha vida, quando grito comigo numa espécie de bronca severa de mãe, dizendo “não, você não pode”, “não, você não deve”, “não, você não vai conseguir” e sabemos bem que a repetição leva ao aprendizado, e aprendemos a cercear nossa liberdade de vida com as tais regras. Nós as estendemos pra outros campos: “você não pode gostar dele(a)”, “você é pouco demais pra ele(a)”, “ele não seria louco de gostar de alguém como eu”. Estabelecemos essas supostas verdades cruéis sobre e a nós mesmos sem entender como isso nos limita na busca por felicidade.

Você não pode perder tempo lendo livros que não sejam sobre negócios e empreendedorismo? Por quê? Porque você disse pra si mesmo que não poderia, que deveria usar seu tempo apenas para aquilo. Você não pode se encantar com alguém agora porque está focando numa promoção no trabalho ou numa viagem de longo prazo. Por quê? Porque você disse que seria assim. E dessa forma você consegue exatamente o que queria: colocar sua vida dentro de uma cerca extremamente controlada, com experiências, sensações e sentimentos que você não vai nunca sentir porque elas acontecem fora do seu espaço delimitado, por fora da sua zona de conforto.

Então, se eu pudesse dizer algo, seria: permita-se. Permita-se sair da dieta quando os ânimos estiverem exaltados, coma aquela lasanha que faz seu dia melhor e não se culpe por isso. Permita-se tirar um ou dois dias do final de semana para praticar meditação, ou visitar a praia, ou acampar no meio do mato, sem aquela necessidade de passar os dois dias trabalhando ou adiantando algum projeto.

Compre um livro pela capa, um romance água-com-açúcar ou uma comédia romântica que você vai poder ler sem muito esforço. Não vá a um compromisso social que você já marcou faz tempo, não vá à balada de sexta-feira, não faça nada que não sentir vontade, mesmo em cima da hora. Mate uma aula da faculdade. Ponha um pouco mais de sal na comida. Abuse do tempero. Vá a um musical com seu melhor amigo e chore feito criança, mesmo que estejam todos rindo das falas. Fique o tempo que quiser na cama. Faça coisas que te fazem um pouco mais feliz, mesmo que elas contrariem suas regras.

Fale com quem você se interessa, sem essa de “não posso”, “não devo”, “ele não…” e comece a entender que não ter tudo nas suas mãos o tempo todo é comum. Vai acontecer mais vezes do que você imagina. Ou você se adapta a isso e entende a beleza de viver fora das fronteiras ou você não vive, deixa tudo de lado por uma falsa sensação de segurança proporcionada por todas as travas que você se impõe.

Permita-se. Pelo menos uma vez por dia. Uma vez por semana. Uma vez.


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Cultura – Saraiva – Travessa

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