Você tem nojo de quê?


Quando eu era pré-adolescente, no auge dos 12 ou 13 anos, quando sexo vira assunto cochichado no grupo de amigos, sexo oral era tabu pra mim. Me lembro que fazia umas previsões absurdas: o primeiro beijo era iminente, a primeira vez só com 18, com o amor da minha vida, com quem eu me casaria, teria filhos aos 28 e seria feliz pra sempre. Hoje, tenho 23 e uma certeza: sou péssima em planejar, ainda bem! Nada do que eu imaginei deu certo, ou deu, dependendo do ponto de vista.

A questão é que sou eternamente grata à vida por ter me dado uma sacudida e me mostrado que “na prática não é bem assim, querida!”. A primeira vez foi aos 15, com o primeiro amor da minha vida, porque depois dele vieram muitos. Os 28 estão cada vez mais perto. Não sou casada e, talvez, até lá, não tenha filhos. E o sexo oral é um dos assuntos que mais gosto de praticar (falar pra quê?) na vida.

Comecei contando essa história pra dizer que outro dia, numa mesa de bar, a gente resolveu falar de sexo. Algumas coisas tinham mudado. A principal era que nada mais era tão cochichado assim. Mas fiquei impressionada quando percebi que a maioria dos tabus continuava intacta. Fiquei me perguntando se a prática tinha sido transformadora só pra mim ou se grande parte dos meus conhecidos vivia numa bolha abastecida de achismos da pré-adolescência. Vocês sabiam que a maioria dos homens só faz sexo oral pra retribuir? Sabiam que nojo do cheiro, do gosto, da cor, da textura é um fato que vai além dos artigos publicados nas revistas e pairam nos quartos, nas salas, nas cozinhas e na intimidade de um número absurdo de casais? Sabiam que tem gente que pede uma lavadinha, um banho ou um socorro só porque a região é úmida demais?

Aí vocês devem estar me apontando porque grande parte das mulheres também não gosta de fazer. Eu gosto. Gosto do gosto, do cheiro, da textura. E já ouvi comentários do tipo “você faz isso com todo mundo?” Em 15 minutos de conversa descobri que não posso gostar de dar nem sentir prazer. Se faço sou promíscua. Se quero sou privada.

Gente, o quê que tá acontecendo com os seres transantes desse mundo? Alguém me explica?  Felizmente, durante toda a minha vida, dos 15 até agora, tive a sorte de me relacionar com a parte dos homens que gosta da coisa. Nunca precisei pedir, nem implorar. Mas eu garanto, se um dia encontro alguém assim por aí na vida eu dou escândalo. Ou não dou. Nada. Porque o sexo tem que ser livre, tem que ser denso, tem que ser diferente do que a gente imagina com 12 ou 13. E tem que ter gosto. De sexo. E não de doce de morango com chocolate.

Letícia Nery

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