Não se preocupe se você sente que não tem sexperiência suficiente


Ninguém deita em uma cama para fazer sexo pela primeira vez e levanta dela já sabendo tudo sobre o assunto. Conhecimento sexual não é algo que seu parceiro – já iniciado nessa vida – passa para você através da saliva (sim, existia uma analogia pior, mas eu preferi poupar a todos de ter que lê-la).

Também não é o número de vezes que a pessoa fez sexo que vai determinar sua sabedoria na cama. Imagina alguém que iniciou a vida sexual aos dezoito anos e hoje tem vinte oito. Dez anos de sexo? Uau. Esse aí sabe das coisas, hein? Quantas vezes já não tivemos que descobrir na prática que, não, esse aí não sabia das coisas. Não sabia MESMO.

Então deve ser o número de parceiros que faz com que uma pessoa seja o rei do rala-e-rola. Aquele cara que carrega com orgulho mais de cem conquistas que terminaram na cama deve ser uma espécie de deus do sexo, certo? Não necessariamente. Muitos homens e mulheres – independente de terem passado por vários parceiros ou não – aprendem a fazer as coisas de um jeito e repetem isso sempre. Eles não querem sair da zona de conforto.

Então se não é o número de vezes nem o número de parceiros, o que faz uma pessoa adquirir sexperiência? Sexaprendizado. Sexpesquisa. Sexeducação.

As pessoas que fazem você querer virar do avesso de tão incríveis que são na cama (ou no sofá, ou no carro ou em qualquer lugar superfície) são aquelas que tentaram entender como poderiam ser cada vez melhores no sexo. Essas pessoas podem ter tido um único e longo namoro ou terem iniciado a vida sexual oito meses atrás. O que as diferencia das outras é que elas leram artigos na internet, falaram de sexo com pessoas mais experientes e – principalmente – dialogaram com os parceiros. E descobriram que pessoas diferentes gostam de coisas diferentes e ritmos diferentes. Sim, Pessoa Britadeira, Pessoa Conta Gotas e Pessoa Pula Pula, vocês são ótimos, mas existem outros ritmos.

Algumas pessoas até hoje fazem sexo como se estivessem na Idade Média. Apagam a luz, entram debaixo do lençol, um fica em cima, o outro embaixo, se friccionam e acaba. Se esse é o seu estilo e você acha a melhor coisa no mundo, nada contra tá?

Sexperiência não é como andar de bicicleta, que de tanto fazer um dia você se torna ótimo nisso. É como tocar piano. Você pode passar a vida toda batendo nas teclas, mas você só vai conseguir tirar delas uma melodia se aprender a ler a partitura – e isso leva tempo.

Quem tem relacionamentos mais longos ou até mesmo os curtos, mas com intimidade suficiente para isso, que tal dar uma olhada clínica no instrumento do seu parceiro? Você costuma olhar para ele ou só o vê quando tiram a roupa, sempre rápido, na meia luz? Então hoje tirem a roupa, deitem na cama e fiquem se explorando. Observe um pênis – pode estar mole não tem problema. Mas observe como ele é, a quantidade de pele que tem, o saco escrotal (já viu ele mexendo sozinho? É um espetáculo na natureza! Você tem que ver!). Observa a vagina, seus lábios, o clitóris. Abre ela com os dedos (com cuidado) e veja como ela é perfeita e delicada. A anatomia humana é fascinante.

Não se preocupe se você sente que não tem sexperiência suficiente. Deixe que isso venha com o tempo, naturalmente. Enquanto isso leia, pergunte, converse. Respeite seus próprios limites e o seu tempo de aprendizado. Aos poucos a sexperiência vai te atingir de uma maneira tão rápida e intensa quanto aquele orgasmo da semana passada.

Andréa_Romão

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