Olha, querido Caio, não sei bem como vou escrever tudo isso, sabe que não sou bom com palavras, mas começo assim: um dia eu acordei um tanto túrbido, você sabe da minha intempestividade, e tomei decisões que julgava serem boas para mim, até tentei pensar em você, e pensei, juro, mas, no final, acho que não pensei em nós, nossa, quanta vírgula, você acha que eu estou exagerando nas vírgulas, Caio?

Não é exatamente isso que eu gostaria de falar, eu quero dizer, na verdade, que eu amei você, sim, de verdade, com toda força, com toda vontade e desejo, com toda a alma e o que de mais interno e intenso eu pude dar, e, olha, eu continuo amando, mas eu não sei bem lidar com isso. Caio, olha que coisa louca, eu não sei lidar com o amor.  Eu sei que você tentaria me ensinar e com calma seguraria minha mão, mas eu tenho tanto medo, tenho sim, no presente, agora, tenho medo de tudo, do ontem morto, do hoje sujo, do amanhã imprevisível, do que quero, do que não quero, de você, de mim e, pasme, tenho medo de nós, nós mesmo, Caio, esse nós que você pensa existir, pensa não, existe, mas que você almeja, e eu também almejo, confesso, mas tenho esse medo, você compreende?

Não, eu sei que você não compreende, e não compreendeu todas as vezes que eu fui embora, para longe, tentando te distanciar e afastar com o golpe mais violento que eu pudesse desferir contra você, e te deixava triste e choroso, acredite, meu rei, eu também ficava triste, eu também chorava todas as noites de saudade de ti, mas por medo, medo do nosso amor, desse sentimento tão avassalador que me tirava dos eixos, dos trilhos, do caminho, do meu estado são, eu fugia, e por fugir disso, eu me esquivava de você, mas, no fundo, era tudo amor, é tudo amor.

Não sei o porquê escrevo tudo isso se não vou te enviar, tenho milhões de cartas aqui guardadas, todas nossas, todas piegas, todas eu & você, mas nunca tive coragem de te endereçar. Vezenquando eu chegava bem perto de sua casa, escondia-me atrás de uma árvore, esperava você aparecer para te admirar, e depois partia, como se renovado do seu amor. Faz muito tempo, Caio, muito tempo que te deixei, mas você não saiu um dia sequer do meu pensamento e coração. Busquei outros corpos, cheiros e amores, mas nenhum deles chegou perto de mim buscando o que de melhor eu tinha, o que de mais essencial e bonito um ser humano possa ser constituído. Perdoa-me, Caio, perdoa-me por todas as lágrimas, por todas as renúncias, por todas as fugas, perdoa-me de mim, às vezes eu me atrapalho mesmo, eu te amo, de verdade, ainda quero me casar com você, ter dois filhos, um gato e um cachorro…

Bruno_Santos


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