Existe um mundo além do papai-e-mamãe


Costumo dizer que todo ser humano possui um universo de desejos e fetiches escondidos por trás de credenciais corporativas e roupas sociais bem passadas. Todo mundo, até aquele seu amigo puritano que odiava a novela das 23h e falava sobre as putarias que rolavam por lá em tom de reprovação tem fantasias. Imagina se a pessoa que tá aí do teu lado na cama não vai ter.

Eu mesmo adoro levar uns tapas no rosto, desde que não quebrem meu maxilar ou me deixem com cinco dedos marcados. Adoro roçar a barba no pescoço e ouvir gemidos nada abafados de quem tá se entregando, dominar a coisa toda, sentir o suor pingando e tudo mais. São acordos pré-estabelecidos ou que vão sendo destravados no quarto. Eu, por exemplo, sempre levanto a bandeira do “pode falar tudo, desde o mais sórdido ao mais simples, a gente discute onde a gente encaixa”, e ainda tem um monte de gente que morre de medo de falar disso.

Qual o problema em dizer que você adora ménages e que, se pudesse, só praticaria essa modalidade de sexo enquanto não se apaixona por alguém? Qual é o problema em falar das algemas, dos mamilos, dos tapas-que-não-arrancam-a-cabeça-fora, do cuspe na cara, da troca de saliva e de um monte de coisa que a gente não deveria falar alto em horário comercial? Nunca entendi gente que se priva entre quatro paredes. Lá fora, infelizmente, entendo que falar sobre qualquer coisa relacionada a sexo seja tabu, um tabuzão do cacete, uma coisa estupidamente escrota.

Você acha que vão te achar estranho, que vão se afastar de você, que vão te rejeitar e, talvez, perca a ideia de cumplicidade no sexo. Eu odeio dormir de conchinha e isso sempre foi lei nos meus namoros: ficamos de conchinha e, na hora de efetivamente dormir, cada um pro seu lado. Pronto, é um acordo. Você faz acordos sexuais pra ter mais prazer, pra se sentir bem e pra evitar que algum louco desvairado te dê um chute na cara confessando que tem tesão por fraturas. Vai saber, né?

O que quero dizer com esse papo todo é que sexo não deveria perder a naturalidade, assim como a arte do diálogo sexual também não. Nosso lado animalesco – quando é bom – precisa sair da gente pra nos dar mais prazer e pra dar mais prazer pro outro. Aquela coisinha bizarra ou básica que você quer fazer pode ser perfeitamente compatível com a que a pessoa que transa contigo quer. Pode ser que não bata muito, mas um “vamos tentar” role e você perceba que nem é tão divertido assim. Fantasias e fetiches foram feitas para serem testadas. Eu tinha um tesão enorme na ideia de ser sufocado e hoje em dia quero distância de qualquer par de mãos que fiquem em volta do meu pescoço. Tenho horror ao enforcamento. E por aí vai. Cê pode descobrir que adora saliva em excesso e perceber que o papai-e-mamãe era chato pra caramba mesmo. Você pode descobrir que não gosta de nada além do normal e tá tudo bem com isso. O importante é justamente estar tudo bem com isso, por mais bizarra que sejam as suas fantasias, desde que elas nunca se misturem com os limites e perigos à vida do outro.

Vai por mim, testar faz bem. Falar putaria abertamente com a tua companhia também. Você vai se sentir a Alice no País das Maravilhas descobrindo que o mundo do sexo vai muito além do papai-e-mamãe.


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