4 filmes pra você olhar o céu de um jeito diferente


Numa de minhas muitas andanças por São Bernardo do Campo, pensando que escolher arte e educação como profissão [/humanas] ainda não me deu a oportunidade de comprar meu fusca azul 78, para sair dirigindo entre prédios velhos, pontilhões pichados e botecos de esquina liderados por nordestinos, onde outros jovens de humanas bebam e troquem socos ao me ver passando na avenida – onde eu estava? Em uma de minhas muitas andanças, sim. Eis que encontrei, numa parede entre o Itaú e o Poupa-Tempo, a seguinte obra: “desligue o cel/olhe o céu”, sem assinatura, apenas um rosto redondo e reclamão cortando a frase no meio. E tive uma… Epifania. “Pics or it didn’t happen”? Ok.

Acabou que olhei para cima e não vi o céu – essa cidade é uma neblina diária –, mas fiquei alguns segundos ali, parado, refletindo: seria eu menos humano por twittar baboseiras enquanto o céu se abre em “A Noite Estrelada” de Van Gogh? Depois de sair andando por temer o assalto, cheguei à conclusão: não, a beleza do mundo mora em outros lugares, também, e, sem menosprezar essa coisa que os poetas chamam de firmamento, vim recomendar aqui no Entre Todas as Coisas alguns filmes que me fizeram, e, com alguma sorte, te farão olhar para o céu de outra maneira.

Vem comigo?

Chronicle, de John Trank (2012)

No melhor estilo found footage f.k.a. filme em primeira pessoa, “Poder sem Limites”, na tradução brasileira, é o resultado do antigo delírio juvenil (ou alcoólico) “que poder você queria ter se pudesse escolher?”. Os três jovens de “Chronicle”, ao entrar em contato com um objeto misterioso, adquirem o poder da telecinética. Logo eles descobrem que podem voar, resultando na cena mais fantástica do filme: lembro-me de sair do cinema extasiado me perguntando “que diabo foi aquela cena em que os garotos jogam futebol americano no céu?”. Nunca desejei tanto voar como naquele momento, mesmo sabendo que aquele céu todo era só uma parede verde.

Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho (2007)

Qualquer motivo é motivo para recomendar os documentários do brasileiro Eduardo Coutinho, seja ele apenas um único discurso a citar o céu. Que a filmografia de Coutinho expõe a verdade e o sentimento humanos da maneira a mais delicada e atenta, uma busca no Google pode provar, mas eu queria mesmo que vocês tirassem um domingo sem sono para assistir a qualquer documentário dele. Em “Jogo de Cena”, mulheres dividem histórias pessoais – encenadas, ou não. Numa delas, crua e divertida, temos: “Porque tem gente que passa o dia inteiro na rua e não olha pro céu”, arrematado com um: “foi isso que ela disse”. Não, o filme não é sobre o céu, mas, sim, eu tenho memória boa para as coisas boas, e essa fala é tão prosaica e excelente que… Poxa: assistam, Jogo de Cena é um céu de possibilidades.

The Truman Show, de Peter Weir (1998)

No maior reality show da história – que só existe na ficção – o diretor e produtor mora no céu; precisamente atrás da lua. Estrelado por Jim Carrey (mais alguém aí prefere ele em dramas ou sou só eu?), que vive o Truman do título, o filme se passa em Seahaven, uma ilha completamente controlada para imitar a vida real – o único a não saber disso é o próprio Truman, que tem sua vida filmada desde o começo e, dentro da inconsciência de seu protagonista, “é tudo verdade, é tudo real. Nada do que virem é falso, é apenas controlado”. Será? Assim como “Jogo de Cena”, “The Truman Show” encontra uma maneira particular de discutir a verdade, mas, no fundo, é um filme sobre o direito às liberdades individuais. Se o céu é o limite? Truman responde, na última cena de seu reality.

Yume, de Akira Kurosawa (1990)

Pra fechar esta lista de maneira artsy, um dos meus filmes favoritos deste diretor japonês – um dos mais influentes, tanto no oriente quanto pra história do cinema em si. Em Yume – “Sonhos” – Kurosawa filma uma coleção de curtas inspirada nos próprios sonhos e pesadelos. Num deles, “Crows”, com participação do diretor Martin Scorsese, entramos, literalmente, nas obras de arte de Van Gogh através da viagem de um estudante de arte. O curta termina com uma reprodução audiovisual de o “Campo de Trigo com Corvos”, tela dividida entre corvos, campos e céus. Aì em cima tem o curta completo – e gosto de pensar na minha cabeça que a epifania que o protagonista tem é parecida com a que descrevi no início deste texto – vale a pena!

E você, quantos céus já viu ao desligar o celular? Já conhecia os filmes acima? Quais outros te remetem a um lugar seguro e com nuvens? Divide com a gente!

Pelvini

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