Pra você deitar aqui


[Você pode ler este texto ao som de Never Gonna Leave This Bed]

Essa semana eu achei um caderno velho com umas anotações e o seu nome rabiscado sublinhado decorado com uns ariscos e solto no meio da folha, bem em evidência, que é pra te dar destaque. Lembrei de você baixando a cabeça e eu posso esconder seu cabelo na orelha pra ver melhor teu rosto? Não pede, mas pode, meu bem, só faz.

De qual dinastia descende o nosso amor? Nem os meus antepassados nem os teus desconfiariam que no meio de uma aula sem graça sobre alguma coisa ética, alguma coisa filosófica, alguma coisa que dizia que o sossego mata e que o “pra sempre” não existe, ninguém desconfiaria que eu te puxaria lá pra fora pra pular ladrilhos do chão e remar, remar, remar num corredor feito de ondas. Paro e te digo que não foi acaso porque acaso é só quando a gente não sabe. Foi amor e eu sabia, sabia que queria te ver deitar nas minhas pernas pro resto dos outros dias. Desse ano e dos próximos.

Ainda é. #entretodasascoisas #danielbovolento (@danielbovolento)

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Eu sei que às vezes as coisas ficam difíceis como têm sido, mas isso passa. Passa tudo, passa um mundo de coisa, mas passa pela gente quando você se lembra o que trouxe a gente aqui. Passa porque uma vez você me disse que o futuro era incerto e que a única certeza que você tinha era a de que queria passar por ele comigo. Disse isso e me deu a mão num dia que fez 14 graus no Rio de Janeiro, e a gente usava cachecol. Disse isso quando me perguntaram se a gente tinha alguma coisa e eu disse que não – e eu nunca me arrependi tanto de uma resposta quanto essa que eu dei.

A gente não tinha coisa alguma, mas agora tem. Tem um sofá na sala e um box da série que não é a sua preferida, mas serve pra passar o tempo com você comigo. Tem o outro e dois edredons pra quando você vem dormir aqui em casa. Tem a nossa forma de mostrar que amor faz barulho, mas é silêncio. E o nosso silêncio não corta.

Te conto tudo isso porque senti sua falta nas últimas horas, e senti falta dos teus botões. Falta de desabotoar a mágoa e pedir desculpas, pedir comida num fast food da vida e pedir pra você mexer no meu cabelo. Pedir hashi e te ver pegando os garfos, porque as coisas já são difíceis demais pra gente botar mais obstáculos na frente. Pedir abrigo e te ver contando dos sonhos que eu nunca sonhei, mas que são meus por tabela porque eu gosto mesmo é de te ver feliz. Te conto tudo que é pra você deitar aqui e só sair de manhã cedo por causa de algum compromisso na agenda. Conto e puxo e obrigado, meu bem, por ter cabulado, por ter fugido comigo da aula que dizia que o sossego mata quando, na verdade, ele acalma. Quando eles diziam que o “pra sempre” não existe e a gente preferiu não ouvir e remar, remar, remar.

bovonew

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