[Você pode ler este texto ao som de Maybe Tomorrow]

Eu tento dizer pros outros sempre que eles devem seguir seus sonhos. Não da forma como todo mundo diz porque, bem, eu entendo o mundo em que a gente vive e entendo que não é todo mundo que pode largar tudo e seguir um sonho, seja ele simples ou louco. Eu digo pros meus amigos e pra quem me pergunta que é importante a gente transformar sonho em meta, com prazo e tudo mais pra ser cumprido. É uma forma de tornar a coisa real. E conheço muita gente que fez a coisa dar certo assim.

O problema é aplicar isso na minha vida porque eu não sei exatamente qual é o sonho. Ou melhor: eu cheguei numa fase em que eu não tenho ideia do que tô fazendo com a minha vida.

Sabe quando você se sente perdido no meio de um monte de coisa e um monte de gente e um monte de possibilidades? Esse sou eu. E não tem nenhuma grande mudança acontecendo na minha vida. Já fa 6 meses que me mudei do Rio pra São Paulo, já faz 5 anos que criei o blog, já faz 22 anos que eu tenho tentado descobrir o meu lugar no mundo e até agora nada. Conheço gente aos 40 que ainda não descobriu e tá aí, dando a cara à tapa e ganhando o mundo. O problema é que eu não consigo, penso demais pra fazer isso. Talvez seja mal de libriano, talvez seja um problema meu mesmo.

Uma das coisas que tenho pensado é numa frase que alguns amigos dizem e que surgiu super de brincadeira, mas que me causou muito desconforto. Exclamaram um dia desses que “tudo não terás”, e essa é a maior verdade do mundo. Você pode ter qualquer coisa, só não pode ter tudo. A gente precisa selecionar as coisas que ama e como quer lutar por elas, porque não dá pra ganhar todas as batalhas. Vejo isso no dia a dia em que 24 horas parecem nunca ser suficientes pra fazer tudo o que preciso e quero fazer. Não dá pra trabalhar, ir à academia, cuidar da casa, escrever as colunas, cuidar do blog, fazer projetos paralelos, tentar aprender a fazer pano em aulas de circo e ainda querer ter vida social. É humanamente impossível até pra pessoa mais organizada do mundo. Por isso, de um tempo pra cá, apliquei a teoria do “tudo não terás” na minha vida e revi as coisas que tenho feito.

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Às vezes eu me vejo como um menino perdido no meio de algo que nem ele mesmo sabe explicar. Bate angústia, bate medo, bate vontade de voltar pra casa e pedir o colo da mãe, bate um misto de sensações que vão da vontade de me isolar à necessidade de receber um abraço. É normal isso, pelo menos pra mim.

Eu sou naturalmente perdido, mas entendi que dentro desse caos que habita em mim (clichê, eu sei, mas adoro essa frase) é preciso mais que ficar parado pensando na vida. É preciso fazer algo, seguir em frente, estar em movimento. E é por isso que eu declaro com um sorriso de canto de boca que não faço a menor ideia do que estou fazendo com a minha vida, mas estou fazendo algo. Enquanto isso, tem tanta gente cheia de certeza estacionada, ou tanta gente como eu que tem medo de olhar pra frente. Não é fácil mesmo. Eu penso e tento desistir todo santo dia. Inclusive já pensei nisso umas 5 vezes escrevendo esse texto porque acho que ninguém vai se importar com ele.

Compartilho isso com você porque acredito que talvez você seja um dos meus, uma dessas pessoas que também não sabe o que tá fazendo com a sua vida. Você pode ter 22, assim como eu, ou ser mais velho ou mais novo. Não importa. A gente tá no mesmo barco. E por mais perdido e confuso que eu seja, eu consigo te dizer que o importante é continuar. Porque a gente pode passar uma vida inteira pensando pra onde quer ir e vai chegar um momento em que vai ser muito tarde pra ir. Ou a gente pode ir e decidir os caminhos que quer tomar junto com o fluxo.

A gente pode ter qualquer coisa. E, quem sabe, não saber o que quer da vida seja o sentimento que nos impulsiona a descobrir o mundo e tentar entender um pouco mais sobre a gente. Porque nada é definitivo, nem o amor, nem o destino. Nada é definitivo enquanto a gente continuar remando.

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