Os leitores do blog conhecem minha paixão de longa data por esse dueto australiano. Os dois são irmãos que atuam na cena indie com uma pegada mais folk capaz de fazer companhia até aos mais solitários. Eles já fizeram parte da trilha sonora de muitos textos aqui do blog e continuarão fazendo – é uma delícia escrever ouvindo os dois, sério!

Pra quem não sabe, eles se separaram por um tempo e seguiram carreiras solo, interessados em aprimorar seus trabalhos individuais e pensar em novos posicionamentos artísticos. Deixo aqui embaixo um vídeo solo de cada um deles pra vocês experimentarem e verem como é diferente quando os dois se juntam pra criar o som ao qual estamos acostumados.

 

O mais legal dos dois é que eles são compositores das próprias músicas e realizam trabalhos individuais com a mesma qualidade com que levam o duo. O Angus tem 28 anos e a Julia tem 30, então acabaram de sair daquela fase dos vinte e tantos anos e as canções fazem parte de toda uma geração que passa pelos 20, retratando coisas que nossos melhores amigos poderiam retratar. Acho que a sensação de identificação e conforto por não viver e sentir aquelas coisas sozinho vem daí. As músicas oscilam entre a calmaria agoniante do indie folk mais denso e caminham até um lado indie pop interessante – como o grande sucesso Big Jet Plane da dupla.

Os álbuns anteriores destacam algumas músicas na carreira dos dois. Do A Book Like This eu destaco Just a Boy e The Beast – não tem como não se apaixonar pela voz otimista do Angus cantando pra uma guria que “Você me deu algo no quê acreditar” e tudo mais.

Do Down The Way (2010), as minhas preferidas são I’m Not Yours e And The boys – trilhas aqui do blog -, que evidenciam um lado mais visceral e triste dos dois. Trechos como “Todas as rachaduras nas paredes te lembram de coisas que a gente disse” e “Você está sempre me deixando para trás / E eu posso imaginar mais de mil razões pra isso”. Sério, além da melodia ser envolvente pra caramba, as letras situam a gente em dilemas amorosos ou comportamentais que todo mundo um dia vai viver.

O novo álbum deles, intitulado Angus & Julia Stone, traz composições dos dois com instrumentais mais marcados e sugestões sensoriais mais fortes. O álbum inteiro funciona bem com a oscilação entre as vozes de Julia e Angus ora juntos, ora separados em algumas composições. As letras também parecem mais adultas e puxam um pouco mais pro folk e pro blues, como a viciante Death Defying Acts, em que Angus tem um solo de guitarra e Julia explora o timbre rouco  – “Eu sou tudo e nada ao mesmo tempo / Você pode ser minha luz até o céu / Por que você insiste em me fazer melhor do que o que é divino?”.

Outro destaque fica por conta de músicas como A Heartbreak – primeiro single do álbum – e a minha preferida até agora All This Love, que abre a obra mais recente dos dois.

Pra quem quiser, fica aqui um link para ouvir o álbum no Deezer ou vocês podem comprar pelo iTunes também. Se ainda resta alguma dúvida de que você deveria ouvir o novo álbum ou passar a ouvir o trabalho dos dois, solta o play no clipe mais recente e entregue-se como eu me entreguei.

bovonew