Wednesday 26th November 2014,
Entre Todas as Coisas

Eu não presto.

Daniel Bovolento 15 de março de 2012 Crônicas e contos
Leia em tela cheia!

Eu sempre tive essa malícia no sorriso. Meio menino, meio caçador. Meio sem saber o que fazer da vida enquanto observava algumas curvas femininas bem à frente. Aquela mordida no lábio de quem deseja o que vê e aquela timidez de quem não consegue se mexer sem revisar na cabeça por mais de trezentas vezes todos os passos até lá. É atraente essa minha forma de mover as pernas com nervosismo e de esboçar umas palavras sem nexo e propósito. Não aprendi a ser direto nem firme demais na vida. Tenho alma de escritor leviano que desdenha das palavras quando sabe usá-las. Vai ver é por isso que eu não valho absolutamente nada.

Eu fui criado em berço de samba, com conhecimento de malandro e passos de quem sabe o que faz. Conduzo bem qualquer dança e traço uma história com as pernas e os braços de qualquer mulher que se aventure a estar comigo. É coisa meio boba de quem se diverte com os encantos e escolhe a próxima vítima a dedo. Mas eu não posso negar que a diversão toda está em bem querer a conquista. Fui feito assim: a fogo, descontrole e paixão. Numa medida extrema entre o que é possível e o que eu quero. Ultrapassei qualquer descrição de astros, números ou tarots: sou inconsequente demais no amor. Um egoistazinho de meia tigela, se preferir. Um moleque que só sabe priorizar o que quer, se achar melhor. Um cara bom para se divertir e aprender que as coisas não precisam ser tão sérias assim, se quiser. Vai ver é por isso que eu não sou o cara certo pra alguém. Com exceção de você.

E, ao contrário do que contam as histórias, o meu comportamento não foi definido por alguma decepção amorosa ou alguma garota bonita que riu de mim. Não, pelo contrário. Sempre tive aversão a clichês, fossem eles amorosos ou não. Fui feito à base de grandes mistérios e não me contentaria em sentar por aqui e contar uma história sem algum enredo interessante. Vai dizer que não sente um arrepio quando ouve as minhas histórias e me olha nos olhos? Aliás, eu sou profissional na arte de mentiras sinceras quando estamos na fase do olho no olho. Não é que eu seja mau caráter, longe de mim. É que eu gosto de brincar com você e construir algumas ficções. Gosto até de me fazer de personagem de qualquer história que você queira montar. Mas, no final, eu vou te deixar sozinha. Não fui feito para durar muito. Mas eu quero te conquistar, menina. Levanta logo dessa cadeira e chega mais, vem…

Você gosta dessa coisa de se fazer de difícil pra mim, não gosta? Ah, mulheres. Mas eu já te ganhei, eu sei. É fácil perceber pelo nervosismo enquanto eu giro ao seu lado e passo a mão por uma das suas coxas despretensiosamente. Sem segundas intenções, prometo. Acho que a essa altura do jogo você já sabe que todas as minhas promessas são furadas e que eu não brinco em jogo. Sem segundas intenções. Mas com terceiras, quartas, um quarto e nós dois. Fui educado para ser rápido, malicioso e conclusivo. Bomba de efeito moral, sabe? Sem o estrondo de Hiroshima e Nagasaki. Sem detonar cidades e quarteirões. Eu gosto de sustentar o olhar através do silêncio. Quem faz muito alarde não tem tempo de desabar no seu pescoço com algumas palavrinhas sujas. E eu ainda gosto de rir quando faço isso. Casanova teria inveja de mim se pudesse. Ah, a minha pretensão. Faz parte do charme, meu bem. De nada adiantaria contar essa história se não pudesse me gabar dela no final. Exibido, pretensioso e com um ego inflado. Ninguém pode me parar se eu não quiser. E ainda vai ter motivo. O problema são esses jogos, essas pernas descobertas, esses batons vermelhos que me fazem dar uma olhada. Meu fraco sempre foi o perfume, na verdade. Sou fraco por você e por algumas outras.

Eu fui feito a gatilho apertado por descuido. Sem estrondo. Igual mesmo é só o tamanho da confusão. Mas você gosta, eu sei. Se não gostasse, não chegaria mais perto pra dizer “você não presta”. Pode me chamar o quanto quiser até amanhã de manhã. Porque depois disso, eu vou contar a minha história para outra que me diga a mesma coisa e eu responda com um olhar sacana, um sorriso de lado e um “eu sei”.

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  1. Carol 15 de março de 2012 at 9:46 pm

    absolutamente encantador!

  2. julia 15 de março de 2012 at 9:47 pm

    “você não presta” hahaha caô, mas seus textos são sensacionais!

  3. Mariana 15 de março de 2012 at 9:58 pm

    como sempre, maravilhosoo! cada dia que passa fico mais encantada com seus textos ! leio mil vezes e não me canso =)

  4. Maria Clara 15 de março de 2012 at 10:15 pm

    FODA!!!! Sem mais.

  5. Bianca Morais 15 de março de 2012 at 10:24 pm

    haha muito bom esse texto..alias todos eles desde que comecei a lê-los fico admirada com as histórias….nota dez ;)

  6. sah 15 de março de 2012 at 10:46 pm

    Amei o texto… me sinto assim… mas sou mulher…
    Adoro o q escreve… parece q me conhece…
    Bj

  7. Bel 16 de março de 2012 at 12:13 am

    Nada mais incrível do que um homem que escreve bem e que sabe como seduzir uma mulher. Parabéns! Gostei muito do texto!

  8. Ana Paula 16 de março de 2012 at 1:39 am

    ‘ Eu gosto de sustentar o olhar através do silêncio. Quem faz muito alarde não tem tempo de desabar no seu pescoço com algumas palavrinhas sujas. ‘

    Sensacional, parabéns ! gostei .

  9. Fernanda 16 de março de 2012 at 1:47 am

    ahh, esses homens que sabem conquistar e sabem dizer que são a pior escolha. e nós escolhemos sempre esses. hahahaha..

    aaahhh ahhh ahhh

  10. Wysllen 16 de março de 2012 at 11:36 am

    São tantos elogios de que esta tudo muito bom,
    que fica ate repetitivo, mas que esta estonteante,
    Sensacional. Parabéns

  11. bertagna 16 de março de 2012 at 3:29 pm

    Reblogged this on Beto Bertagna a 24 quadros.

  12. Kamilla Martins 16 de março de 2012 at 8:06 pm

    Como sempre a perfeita e incrível sintonia entre texto (que estão cada vez melhores) e a música.
    Adorei!

  13. Helder Miranda 16 de março de 2012 at 10:51 pm

    “Casablanca teria inveja de mim se pudesse.”
    Provavelmente voce se referia à Casanova.

    • Daniel Oliveira 16 de março de 2012 at 11:01 pm

      Você está certíssimo, meu caro. Nem tinha me ligado na menção errada. Corrigido já! Obrigado!

  14. Adonis 16 de março de 2012 at 11:26 pm

    Como mulher é boba.

    Todo homem que não tem parceira fixa é um grande punheteiro e entre uma bronha e outra fica pensando em como conquistar uma garota para poder aparecer, dar uma “pedalada”, vangloriar-se para os amigos ou para outras mulheres, e depois voltar para a punheta. E isso, à evidência, não vale para nerds, mas para os malandros, aqueles que dizem que não prestam e que preferem ficar sozinhos ou sem um compromisso sério, para aqueles que conquistam apenas por uma noite.

    Aquele que busca muitas mulheres padece desse vício: a punheta.

    Lamentável.

    Além disso, de toda essa verdade omitida, esse textículo é muito básico.

    Até que está escrito direitinho – e basta isso para pegar mulher na internet, conteúdo mesmo pouco importa -, mas ainda assim é banal e por isso voltado para mulheres desocupadas e mal amadas.

    Todo o procedimento por ele descrito, inclusive a substituição do alarde pelo sussurrar, ao pé do ouvido, de palavras eróticas, é de fácil emprego. Basta um pouco de treino.

    Porém depois de alguns sucessos, esse tipo de conquista cansa, porque fica repetitiva. Todos aqueles que são conquistadores sabem disso.

    Em suma, esse texto não passa de mais um lugar comum.

    Só perdi meu tempo escrevendo, porque queria demonstrar para a mulherada a verdade das coisas, o que se esconde atrás daqueles que não prestam.

    Quando virem um homem que não presta, podem ter certeza: o cara é punheteiro nato, pelo simples fato de não ter mulher fixa e de ter tempo de sobra para pensar em maneiras de entreter e conquistar uma desconhecida, e faz isso com o pau na mão gozada, que é a fonte suprema de sua inspiração kkkkk Esse tipo de sujeito se acaba todo dia. Podem dar risada dele. É verdade! Não sei, talvez minhas palavras sejam inúteis, pois, às vezes, suspeito que vcs já saibam disso, da masturbação viciante, e por isso gostem de dizer que “vc não presta” kkkkkkkkkkkkk

    • Daniel Oliveira 16 de março de 2012 at 11:32 pm

      Guri,

      Eu ia sustentar o seu ponto em não ter gostado do texto. Mas a tua sustentação perdeu todo e qualquer embasamento no discorrer do comentário. Isso é uma crônica. Se souber o que significa o gênero, vai entender o texto e o contexto. Caso contrário, só me resta dizer que nunca vi um comentário tão pretensioso como esse.

      E não falo sobre ser uma crítica. Já recebi ótimas críticas fortes de pessoas com total razão. Mas, amigo, depois dessa… Passar bem.

      • Ciandro Marcus 17 de março de 2012 at 6:51 am

        Haha Daniel… ótimo blog.. seu punheteiroo kkk Entendo beemm sua crônica! O Adonis é só o cara do pau na mão q ficou com inveja… haha liga pra ele naummm!!!

        “Não há sensualidade masculina que não conquiste o coração de quem nasceu para ser seduzida.”

        Abs..

  15. Ingrid Santana (@ingrid_santana) 17 de março de 2012 at 2:06 am

    Os opostos se atraem já diz essa lei da física, antiga. Não me impressiona a mulherada acabar caindo no gosto do cara do texto, acho que a sinceridade, a despretensão, o jogo-de-cintura, são armas infalíveis, e quebra o sistema do protótipo corretinho, amorzinho – que agrada, mas nem sempre surpreende.

    Muito bom, Daniel. ;)

  16. Juliana Ribeiro 17 de março de 2012 at 5:54 pm

    te confesso que pela primeira vez n gostei do seu texto , deve ser pq vi alguem em especial no personagem do texto rsrs , um pretensioso .

  17. PaulaCarolina 18 de março de 2012 at 6:27 pm

    esse ficou bom demais! amei mesmo.

  18. Anni 26 de março de 2012 at 10:40 pm

    Incrivelmente eu me vi nesse texto! Não no papel da mulher, mas no seu. Olhar o homem com um sorriso malicioso, escutar safada e aproveitar aquele clima gostoso do momento.
    Gostei muito do texto, do seu estilo!
    Parece que você presta, para ler!

  19. Talyne 22 de abril de 2012 at 1:02 am

    Texto bom é o que desperta as emoções em nós (quaisquer que seja!).

    Um cara que não presta é aquele gosto eterno que cada mulher terá na boca. Os caras que “não prestam” são os que nos fazem mais vivas, meninas!
    Se torna viciante. Mas nenhum vício é bom, né?!

    Uma hora cansamos e o amor vem.
    Mas enquanto puder aproveitar (consciente) disso, aproveitem! ;)

    Parabéns, Daniel!

  20. nsierra 5 de maio de 2012 at 1:33 am

    E naqueles relances deliciosos das noites de quinta, eu gosto desse seu rostinho de desapontado porque eu não dancei com você. Eu gosto dessa sua canalhice de sussurrar suave nas outras, mas eu gosto mais ainda dos seus amigos colarem no meu grupo enquanto você se esconde no meio de tantas com sorriso estridente de satisfeito. Eu gosto e acho graça, e aqui há malícia no meu sorriso. E eu não preciso te provar nada, não. E nem preciso dizer que você é um canalha, porque você já sabe. Qualquer dia te esbarro por aí de novo e você finge que não se lembra. E eu acho bonitinho esse ar de pretensão, esse charme fundamental que eu vejo estampado no seu sorriso de canto. E em penumbras esporádicas você até que vale a pena.

  21. Luana 6 de junho de 2012 at 12:06 am

    leio sorrindo seus textos.. por incrivel que pareça esse descreve totalmente o tipo de cara que eu gosto. Porque acho que eu sou um pouco desprendida de paixões que durem mais do que a conquista também. Incrível.

  22. Beatriz Coelho 14 de fevereiro de 2013 at 7:35 pm

    Vc me descreveu alguem que conheço k
    que gênio!