Em Relacionamentos

Eu te amo

Daniel Bovolento

Por / 15 DE fevereiro DE 2012

Eu te amo

Quantas vezes eu vou ter que te redescobrir assim? Não importa quantas vezes você pinte o cabelo de verde, amarelo, azul, roxo, vermelho… Você ainda vai ter o mesmo gosto agridoce de quem combina o sal da pele com o doce do brilho labial. Nenhuma mudança tira isso de você. A cama é nosso habitat natural. É onde a gente deixa de ser humano e volta a ser uma espécie em extinção: os apaixonados. É aqui onde você deixa todas as suas manias de bom comportamento e a ética que os seus pais te ensinaram para fora. Fecha a porta bem na cara delas e cai em cima de mim do jeito que tem que ser. Como animais, a gente experimenta aquela coisa de morder, chupar, lamber e sentir tudo no último grau de intensidade. Aqui a gente não precisa ter pudor, morena.

A tua cara de quem gosta e sente prazer é impecável. Eu até recuo um pouco na hora do sexo só pra poder apreciar o teu rosto limpo de qualquer maquiagem com um sorrisão escancarado de quem não quer parar. Você tem um jeito meio atraída de fazer as coisas. É, esse teu jeito de cravar as unhas nas minhas costas e uivar de satisfação e loucura enquanto me beija como se fosse tirar a minha alma de dentro de mim. Coisa de animal mesmo, sem educação e sem necessidade disso. A nossa etiqueta não nos ensinou a aprisionar desejos e vontades. E eu gosto desse cheiro de sexo no ar e de ver o teu corpo banhado pela luz do sol. Você dorme e se confunde entre sonho e realidade toda vez em que eu te pego de surpresa e te jogo na cama e tiro a tua roupa e começa a fazer tudo o que você me pede para não fazer com uma voz esganiçada de quem não quer perder o ritmo e o movimento dessa coisa toda.

E quantas vezes você não pensou em desistir da gente porque sabia que a gente não daria certo? Eu também pensava que a nossa história seria papo de uma noite só. Coisa rápida, de atração física justificada pelo álcool e por olhares fortes numa boate qualquer do centro. Eu te achei estranha e gostosa com aqueles peitos saltando do decote e confesso que não ouvi uma palavra sobre o que você falava. Eu só conseguia olhar pros teus peitos e praquele vestido que te deixava sensacional. Você topou ir pro meu apartamento e eu descobri no teu corpo um conjunto de sinais que encaixavam tão perfeitamente bem na minha história… Eu não soube o que dizer naquela noite. Foram sussurros e mais sussurros até que eu acordasse e reparasse no teu rosto. No mesmo sorriso que eu vejo agora. E como eu poderia não agradecer todos os dias pela bendita atração física? Se não fosse por aquele decote, talvez eu nunca pudesse dizer pros meus amigos que eu encontrei a mulher da minha vida. Que ela tem defeitos e que odeia os mesmos esportes e livros e filmes e comidas e bebidas que eu. Que ela me ignora quando eu ligo e faz festas lá em casa com as amigas loucas dela. Que a gente briga de arrancar lágrimas do meu jeito meio grosso de ser. Que ela não reclama do meu oral e ainda diz que é uma delícia me ter dentro dela.

Você pode não ser a mais perfeita das mulheres, nem a mais linda de todas, nem a mais original. Eu também não sou assim, o melhor cara do mundo. Mas você é o que eu quero e agradeço aos seus peitos por terem me levado – e vou ser piegas da forma que você detesta agora – a um caminho melhor: ao teu coração. Isso mesmo, esse órgão pulsante, intenso, imperfeito e nada bonito como nos desenhos. Assim como a gente. O teu pacote é completo: você é gostosa na cama e sabe me fazer cair de um precipício se for preciso. Igual naqueles desenhos animados que a gente fica vendo em silêncio de vez em quando. E o meu romantismo passa longe quando eu sou bruto, ogro, agressivo e tudo mais, eu sei. Mas depois dessa noite inteira com direito a melhor trepada da minha vida – com você toda vez é sempre a melhor -, devo dizer: eu te amo.

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DANIEL BOVOLENTO

Carioca em São Paulo, redator, marketeiro, consultor de conteúdo e escritor. Falo mais sobre relacionamentos que a maioria.

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