Thursday 02nd October 2014,
Entre Todas as Coisas

Eu te amo

Daniel Bovolento 15 de fevereiro de 2012 Crônicas e contos, Relacionamentos
Eu te amo
Leia em tela cheia!

Quantas vezes eu vou ter que te redescobrir assim? Não importa quantas vezes você pinte o cabelo de verde, amarelo, azul, roxo, vermelho… Você ainda vai ter o mesmo gosto agridoce de quem combina o sal da pele com o doce do brilho labial. Nenhuma mudança tira isso de você. A cama é nosso habitat natural. É onde a gente deixa de ser humano e volta a ser uma espécie em extinção: os apaixonados. É aqui onde você deixa todas as suas manias de bom comportamento e a ética que os seus pais te ensinaram para fora. Fecha a porta bem na cara delas e cai em cima de mim do jeito que tem que ser. Como animais, a gente experimenta aquela coisa de morder, chupar, lamber e sentir tudo no último grau de intensidade. Aqui a gente não precisa ter pudor, morena.

A tua cara de quem gosta e sente prazer é impecável. Eu até recuo um pouco na hora do sexo só pra poder apreciar o teu rosto limpo de qualquer maquiagem com um sorrisão escancarado de quem não quer parar. Você tem um jeito meio atraída de fazer as coisas. É, esse teu jeito de cravar as unhas nas minhas costas e uivar de satisfação e loucura enquanto me beija como se fosse tirar a minha alma de dentro de mim. Coisa de animal mesmo, sem educação e sem necessidade disso. A nossa etiqueta não nos ensinou a aprisionar desejos e vontades. E eu gosto desse cheiro de sexo no ar e de ver o teu corpo banhado pela luz do sol. Você dorme e se confunde entre sonho e realidade toda vez em que eu te pego de surpresa e te jogo na cama e tiro a tua roupa e começa a fazer tudo o que você me pede para não fazer com uma voz esganiçada de quem não quer perder o ritmo e o movimento dessa coisa toda.

E quantas vezes você não pensou em desistir da gente porque sabia que a gente não daria certo? Eu também pensava que a nossa história seria papo de uma noite só. Coisa rápida, de atração física justificada pelo álcool e por olhares fortes numa boate qualquer do centro. Eu te achei estranha e gostosa com aqueles peitos saltando do decote e confesso que não ouvi uma palavra sobre o que você falava. Eu só conseguia olhar pros teus peitos e praquele vestido que te deixava sensacional. Você topou ir pro meu apartamento e eu descobri no teu corpo um conjunto de sinais que encaixavam tão perfeitamente bem na minha história… Eu não soube o que dizer naquela noite. Foram sussurros e mais sussurros até que eu acordasse e reparasse no teu rosto. No mesmo sorriso que eu vejo agora. E como eu poderia não agradecer todos os dias pela bendita atração física? Se não fosse por aquele decote, talvez eu nunca pudesse dizer pros meus amigos que eu encontrei a mulher da minha vida. Que ela tem defeitos e que odeia os mesmos esportes e livros e filmes e comidas e bebidas que eu. Que ela me ignora quando eu ligo e faz festas lá em casa com as amigas loucas dela. Que a gente briga de arrancar lágrimas do meu jeito meio grosso de ser. Que ela não reclama do meu oral e ainda diz que é uma delícia me ter dentro dela.

Você pode não ser a mais perfeita das mulheres, nem a mais linda de todas, nem a mais original. Eu também não sou assim, o melhor cara do mundo. Mas você é o que eu quero e agradeço aos seus peitos por terem me levado – e vou ser piegas da forma que você detesta agora – a um caminho melhor: ao teu coração. Isso mesmo, esse órgão pulsante, intenso, imperfeito e nada bonito como nos desenhos. Assim como a gente. O teu pacote é completo: você é gostosa na cama e sabe me fazer cair de um precipício se for preciso. Igual naqueles desenhos animados que a gente fica vendo em silêncio de vez em quando. E o meu romantismo passa longe quando eu sou bruto, ogro, agressivo e tudo mais, eu sei. Mas depois dessa noite inteira com direito a melhor trepada da minha vida – com você toda vez é sempre a melhor -, devo dizer: eu te amo.

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  1. Bia Agarie. 15 de fevereiro de 2012 at 11:23 pm

    Não precisei nem ouvir a música, só de ler o texto, já parecia que eu estava escutando, que eu estava na história. Talvez seja pouco pra descrever, mas, o adjetivo que me vem a cabeça agora é: sincero.
    (E lindo.)

  2. @Camilasiilva_ 15 de fevereiro de 2012 at 11:31 pm

    Viajei e entrei na história como se ela tivesse se passando aqui, agora e comigo!

  3. Ana 16 de fevereiro de 2012 at 12:11 am

    ‘Your body is a wonderland’ é uma das minhas preferidas do John mayer. E se encaixou perfeitamente ao texto! *-*

    A atração é princípio e motivo de todo o resto, né?! =)
    Cada dia mais apaixonada por seu blog.
    Continue, escreva sempre e mais!

    E, obrigada por me proporcionar essa delícia de leitura!
    ;*

  4. Anna Eliza 16 de fevereiro de 2012 at 12:12 am

    Este texto está incrível! Bem canalha e bem sincero. Quebra com esse amor romântico a qual estamos acostumado.É mais descomplicado, é mais real. Não gosto muito de relacionar a ideia de sexo a de amor, mas você mostrou que existe um amor bem irracional, quando a química desperta nossos instintos, em que não se precisa pensar só sentir e viver.
    Vc me surpreende a cada texto, parabéns!

  5. Bruna 16 de fevereiro de 2012 at 2:03 am

    com você toda vez é sempre a primeira.

  6. Isa 16 de fevereiro de 2012 at 12:00 pm

    CARALHO!

  7. Juliana 17 de fevereiro de 2012 at 10:31 am

    Que Lindo!

  8. Lucilu 17 de fevereiro de 2012 at 11:21 am

    “…Mas depois dessa noite inteira com direito a melhor trepada da minha vida – com você toda vez é sempre a melhor -, devo dizer: eu te amo.”

    :)

  9. Fernanda 17 de fevereiro de 2012 at 5:36 pm

    Sabe o que eu senti lendo ?? INVEJA. – láagrimas no olhar e uma oraçãao no pensamento pedindo praaa acontecer pra mim!

  10. Letícia Stahelin (@Lestahelin) 17 de fevereiro de 2012 at 9:56 pm

    Não achei um texto canalha. É bem expressivo. Nosso cotidiano é assim, ou um pouco.
    Tem relacionamentos que nos proporcionam isso. O lado feminino também, por muitas vezes, não é assim: Ah saí com ele pq ele é muito inteligente. Acredite, é pq ele é bonito/charmoso e te atraiu fisicamente.
    E uma coisa leva a outra, inegavelmente.
    Curti o texto. (:

  11. Deanna A. (@deannissima) 20 de fevereiro de 2012 at 2:24 pm

    Está longe de ser um texto canalha.
    É um argumento sincero e viceral de quem sabe apreciar tudo aquilo que vai além do decote.

    Num passado remoto, já me senti do outro lado da história e me deliciei lendo isso, pois me fez lembrar de coisas boas que (por hora) não voltam mais.

  12. Rosany Duarte 22 de fevereiro de 2012 at 2:07 pm

    Arrasou. Esse texto me fez lembrar algumas coisas da minha vida e reforçou certas ideias que tenho sobre o assunto.
    Sensacional o texto. Gostei de verdade!

    Parabéns. Vou continuar dando uma olhada pelo blog e ver se me identifico com mais algum.

    Beijos e sucesso!

  13. Lilian 24 de fevereiro de 2012 at 8:54 am

    Nossa!!!! Me encontrei vivendo esse momento em minha vida!!! ai ai

  14. Nah. 25 de fevereiro de 2012 at 5:33 pm

    acredito mto na imperfeição do que o amor é.
    parabéns pelo texto.

  15. Marina 2 de março de 2012 at 6:17 pm

    ai, parece que falou da minha ultima noite, cruzes.

  16. Flav 3 de março de 2012 at 8:10 pm

    Esta foi sem duvida a declaração de amor mais linda q eu ja li.
    bem ao meu estilo!

    Parabens pelos textos

  17. Erika 7 de março de 2012 at 5:43 pm

    Na boa Véi amei pra caralhoo =>

  18. Bianca 20 de março de 2012 at 5:29 pm

    Olha Daniel…vai à m…pq eu não aguento mais chorar lendo seus textos!!!! rsrsrs Por hj já deu!!! Vc é incrível!!! Sem palavras!!! Tudo de bom pra vc!!!

  19. Daniele Cunha 4 de junho de 2012 at 6:45 pm

    Tentador, Inspirador, gostoso de ler. Parabéns Daniel!

  20. Line 12 de junho de 2012 at 4:51 pm

    vc é fodaaaaaaaaaa!

  21. Taty M. 15 de dezembro de 2012 at 4:00 pm

    Estou completamente apaixonada por esse texto.
    E completamente apaixonada pelo John Mayer também, é claro.
    Parabéns, Daniel. Tu é demais, guri. Haha

  22. Bel Barreto 21 de novembro de 2013 at 4:48 pm

    Não precisei de mais nada, desliguei a aula chata de prescrição penal que ouvia só pra me encontrar nesse texto, é puro, é sincero, é lindo!

  23. Amanda Blue 22 de novembro de 2013 at 1:13 am

    não sei bem o que dizer, só gelou meu estômago.
    é que ainda tenho medo de estar tão apaixonada como estou… será que um dia passa?
    queria poder viver um amor sem limites, me entregar sem medo de sair machucada no final.
    mas quem é perfeito, não é mesmo?
    quero um dia saber que meu cara descreve nossa história conforme o escrito nesse texto. honra e satisfação suficientes <3