Sobre erros, recaídas e o dilema entre voltar ou não.

Todo mundo sabe que relacionamentos que se prezem têm sogras, paixões não correspondidas e ex-namoradas como elementos necessários para compor a trama. E nesse cenário em que tudo pode acontecer, uma das coisas que mais se fala é o relacionamento com ex. Existe vida após o término?
A gente se pega pensando sempre no que nos levou ao término de um namoro ou relacionamento estável: dentre milhares de motivos que vão desde os mais bobos (como a mania dela de te chamar de chuchu) até os mais sérios (como a percepção de que vocês não combinam). E daí a procura pelo erro crucial que fez com que aquele castelo de areia desmoronasse é sempre acompanhada por uma boa dose de álcool e DR (seja consigo mesmo, seja com a ex em questão). A ideia que a gente tem de um relacionamento que chegou ao fim por causa de um erro é bem comum e nos leva a milhares de perspectivas pós-término. Eu acredito que, principalmente aqueles que ainda mantém algum tipo de sentimento pela ex, caem na velha armadilha da “amizade colorida” depois de tudo.
Vamos lá: eles eram amigos e começaram a namorar. De antemão vocês já percebem o risco de perder um ao outro caso a coisa fique feia e não funcione entre eles. Um mês, um ano e pronto! Terminaram! E agora eles vão se manter um tempo afastados e tentar recuperar aquela velha amizade de tempos atrás. Ele ainda gosta do sorriso e do perfume dela. Ela ainda acha que ninguém transa como ele e nenhum abraço se encaixa perfeitamente assim. Voltam a se encontrar, a sair juntos, a trocar sms, a relembrar velhas histórias e TCHARAM: recaída.
Recaída é quando a gente sabe que vai cair do penhasco e não vai andando: se joga. Se joga com força e já sabendo a dor que vai ser bater a cara no chão. Mas dessa vez não é surpresa se a gente errar de novo: é repetição de um erro anterior que foi agradável ou prazeroso.
O grave problema da recaída é que ela acende na gente um monte de dúvidas que pareciam ter sido apagadas muito bem com o extintor no meio do incêndio que foi o término. Você não sabe o que aconteceu, nem se gosta mais da pessoa. Você não sabe se foi um monte de beijos de uma noite só, ou se aquele abraço e olhar carinhoso significam alguma coisa a mais. O erro da recaída consiste no envolvimento emocional que (mesmo que não se queira) acontece. Acontece porque é bem provável que você não vá descartar um sentimento, mesmo que de lembrança, ligado a todos os momentos bons que você viveu com outra pessoa. Se você tiver a sorte e a evolução espiritual de não sentir mais nada, a recaída mostra seu lado positivo. Ela também pode servir para mostrar que o que passou já foi e não volta mais. Ponto e sinal pra seguir adiante de vez.
Muito bonito e muito poético. Mas e daí? A recaída tem o poder de fazer com que a gente pense em milhares de frases de efeito e situações novas. Se o tempo de término e o da recaída forem distantes, rola aquele bom e velho: será que eu devo tentar de novo? Talvez ela seja uma pessoa diferente agora… Ela sorri da mesma maneira, ele larga o jogo de futebol para vê-la. Eles vão jantar num restaurante novo e ela percebe que ele aprendeu a contar piadas engraçadas. Ela fez as unhas e usou um vestido daquela cor estranha que ela dizia odiar. “Ela mudou/Ele mudou”. Bingo! Os dois estão com a sincronia perfeita de pensamento que os faz cair diretamente na emboscada do “Acho que dessa vez vai ser diferente. Talvez seja bom tentar”.
Medo, insegurança, mãos suando frio e um riso frouxo na cara. O dilema entre voltar ou não é mais complicado do que se imagina. Por um lado, existe a possibilidade de o tempo ter mudado os dois a ponto das coisas serem diferentes agora e realmente dar certo. Por outro lado, existe a comprovação da experiência anterior de que vocês não funcionaram e que isso tudo pode ser perda de tempo (ou pior: pode ser mais uma chance provável de quebrar a cara e reviver toda a dor e mágoa de outro término com a mesma pessoa). É um momento de colocar na balança o que o coração diz de novo e o que a experiência já disse uma vez. Alguns preferem respeitar o sinal de um suposto destino e deixar o passado no passado. Outros preferem acreditar em segundas chances e se permitem tentar mais uma vez em prol da alegria e das lembranças boas.
No final, o que vale mesmo é pesar a vontade. Por experiência própria, eu digo que fazer o que se quer nesse momento desvairado pode trazer resultados bons. Mas também entendo quem prefere se manter na retaguarda e ficar atrás do escudo pra não se machucar mais ainda. A recaída te dá duas opções que formam um dilema. Mas quem escolhe a experiência que vem a seguir é única e exclusivamente você.

Me vi muito nesse texto!
Eu acredito que, se você gosta, se acha que vale a pena, não custa tentar. Dar uma segunda chance é legal, principalmente já sabendo quais foram os erros que fizeram com que não desse certo anteriormente. Só erra outra vez se quiser.
Pena que, no meu caso, só eu penso assim ):
Daniel, você se supera a cada dia. Parabéééns!
Opa, Dell. Concordo contigo um pouco. Só erra outra vez quem quer.
Mas alguns erros são inevitáveis.
Beijo grande.
A melhor definição que já li até hoje!
“Recaída é quando a gente sabe que vai cair do penhasco e não vai andando: se joga. Se joga com força e já sabendo a dor que vai ser bater a cara no chão.”
Recaída são esses tombos bem voluntários que a gente dá. Brigadão pela visita =)
Daniel, li varios textos seus hoje e cara… parabéns! achei incrível como você consegue achar detalhes que existem na vida de qualquer pessoa.
parabéns
beijos
É porque de doido e apaixonado todo mundo tem um tempo… e todo mundo que vive em relacionamento já passou pro algo semelhante.
Beijos.
Verdade, analizando por estes pontos, bem que eu poderia mudar minha vida sentimental, mas quem têm filhos pequenos, ás vezes suporta ignorância, ciúmes doentio e falta de amor, só para ficar perto dos filhos. Acontece, e na minha vida, quem vai arcar com a decisão, de não tentar ter uma sentimental feliz, só para ficar perto dos filhos, sou só eu, então não poderei reclamar de nada.
Leio sempre os seus textos e acho todos incríveis, adoro sou sua fã.
parabens e muito sucesso!
Opa, Daiane. Eu agradeço. Beijo =)
Parabéns Daniel Oliveira.
Parabéns Daniel Oliveira, minha situação é essa …nunca li um texto que
expressasse tão em uma situação, acho bacana você expor esse sentimento os homens estão cada vez mais infantis perante as situações que merecem ser tratadas com responsabilidades, eles tem medo de crescer, qual sua opinião sobre isso como os homens de hoje não estão dando conta das “responsabilidades de um relacionamento???
Obrigada
Mara
No quesito recaídas depende muito da intensidade das experiências vividas ao lado da pessoa. Nem toda relação acaba de forma traumatizante. Existem sim relações que ficaram mal resolvidas por motivos alheios a vontade do casal. E acredito que ás vezes uma recaída pode ser a oportunidade que as pessoas se dão de viver aquilo que poderia ter sido e não foi, se é que vc me entende? É válido fazer um resgate da memória se o qto vc sofreram ao afastar-se sobrepõe os bons momentos vividos. Se as lembranças dos melhores momentos forem em maior quantidade, qualidade e intensidade (eis a tríplice aliança ha ha ) acho que vale a pena tentar.
cada post melhor do que outro , situações onde todo mundo se identifica! muito interessante mesmo ! :p
Gostei desse site pq posso comentar aqui do serviço(o pessoal de TI só não pode contar pro meu chef se ele descubrir eu me f.. de vez)rsrsrs
Interessante pq eu tenho 21 anos e namorei 1 vez na vida e faltando 2 dias pra completar 1 ano de namoro, terminei… Puf, pra ele foi assim do nada sab?! Pra mim não já vinha analisando nos dois e achei que o melhor seria terminar… Me deu a louca ai depois de uns 7 meses começei a sentir falta, mais racionalmente falando foi melhor e não ter nos permitimos recaídas foi o certo, sumimos um da vida do outro… É melhor assim, o lado carente é fácil de resolver com outra pessoa, sem precisar da bagagem cheia… Coisas sem tanta importancia é mais fácil, e quando se está cansado é o melhor opção.
Em primeiro lugar, parabéns pelo post.
Preciso desabafar ://
((
Minha situação é um pouco complicada. Namorei 4 anos e meio e o namorado terminou [motivo mais óbvio: a paixão acabou]. Passei 3 semanas inteirinhas sofrendo cada segundo, mas na segunda de carnaval, ‘levantei’, saí com amigos e fiquei com uma cara sensacional. Não sou de fazer isso, mas o cara era espontâneo, carinhoso e cuidadoso cmg, então aconteceu. Depois de muito tempo, me senti viva de novo.
Porém, no dia seguinte, contei pro ex. pra ele não ficar sabendo pelos outros e ele ficou puto! Eu realmente não esperava essa reação dele. Afinal, ele que terminou e me disse ‘quero que você siga sem mim, você pode seguir sem mim’. Depois que contei, o pouco contato que tínhamos morreu totalmente.
Só que hoje recebi uma msg dele dizendo que precisava de uns materiais acadêmicos que estavam cmg. E agora? Não quero e quero encontrá-lo. Estou morrendo de saudade. Tenho medo de encontrá-lo e cair. Acho que estou indo bem demais, mas não estou pronta para vê-lo.
Adorei o texto!!
Realmente as recaídas mexem bastante com o nosso emocional, mas tem também aquela questão (que é a minha questão), não consigo colocar realmente um ponto final e sempre fico com meu ex. É complicado.. Mas no momento certo sei que vai acabar de verdade, rs.
Sucesso! Beijos.